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Nossa missão: Dar vazão às mentes e às vozes que querem questionar e repensar o Brasil de uma maneira distinta, objetiva e imparcial.
O Profeta diz a todos: "eu vos trago a verdade", enquanto o poeta, mais humildemente, se limita a dizer a cada um: "eu te trago a minha verdade."

Mario Quintana

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Lição moral bastante atual

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quinta-feira, 21 de fevereiro de 2019

A casa




                  Depois das eleições gerais, que envolvem praticamente toda a sociedade, de uma forma ou de outra, vêm as eleições para as mesas diretoras das casas legislativas municipais, estaduais e federais, nas quais somente os parlamentares votam e são votados por seus pares, mas nem por isso deixam de ser disputadas e de ter discussões acaloradas. É sempre assim, a cada dois anos, e não foi diferente, desta vez. Houve trocas de farpas, indecisão quanto ao modo de votação, se seria aberto ou secreto, e, mais uma vez, a interferência do Judiciário, apesar da teórica independência dos três poderes, quando os membros do Legislativo não conseguem se entender, quanto às regras de seus trabalhos, que deveriam estar bem claras e bem definidas, por exemplo. 


                  Quanto mais os parlamentares têm poder, mais eles querem, e querem também estar cada vez mais perto do topo. As disputas para as chefias dos parlamentos são sempre acirradas, mas, geralmente, quem as vence é um parlamentar alinhado com os interesses do chefe do Executivo, sendo um potencial substituto deste, quando este precisar se afastar do cargo e não tiver um vice.


                  Um vereador que se elege presidente de uma câmara municipal, por exemplo, quando as pessoas se reportam a ele como "senhor presidente" e o bajulam, deve se sentir o presidente da República e esquecer que ainda é vereador. Não é para menos. No Brasil, historicamente, quando não existia o cargo de prefeito, era ele quem assumia função equivalente. O presidente de uma câmara tem bastantes poderes e privilégios. É ele quem, por exemplo, além de administrar a instituição e de representá-la oficialmente, preside as sessões do plenário, estabelece as pautas das reuniões, profere o voto de Minerva ou de desempate, quando necessário, e define quem sobe à tribuna e por quanto tempo deve falar. Ele pode também mandar retirar do recinto quem estiver perturbando a ordem e até mesmo dar voz de prisão a quem o desacatar. Se a casa tiver emissoras de rádio e TV, ele decide se elas transmitem ao vivo as sessões e se elas ficam no ar. 


                  Quando parlamentares não conseguem ser presidentes de suas assembleias, eles brigam para, pelo menos, ingressarem em irmandades ou panelinhas, que são as diversas comissões criadas na casa com os mais diversos fins, como avaliar projetos de leis, investigar crimes de interesse público, como corrupção, narcotráfico e prostituição infantil, por exemplo, julgar seus pares por quebra de decoro parlamentar e decidir pela cassação de seus mandatos ou não, por exemplo. Eles se digladiam para entrar nessas comissões, assim como muitos universitários querem tomar parte em fraternidades de suas universidades, como que em busca de um lugar de destaque ao sol.


                  Estar no topo também traz grandes responsabilidades. Quando a barragem das contas públicas vaza ou se arrebenta de vez, as autoridades miram em quem estiver no comando. Veja o que acontece, na investigação do episódio de Brumadinho, por exemplo, em que a diretoria da mineradora é investigada. Assim, várias prefeituras e câmaras municipais do Brasil tem sido devassadas por autoridades policiais, por improbidades administrativas.


                  Se os parlamentares concentram tantos poderes, inclusive o poder de movimentar consideráveis somas de dinheiro público e, potencialmente, multiplicarem seus rendimentos, de maneiras lícitas e ilícitas, inclusive, reajustando os próprios salários, ao bel prazer, por exemplo, a culpa é sua, caro eleitor. Foi você quem os elegeu e lhes deu carta branca para que criassem leis que dão cada vez mais cabimento a eles próprios e perderem tempo se digladiando por mais poderes, em vez de exercerem seu legítimo papel de representantes legais do povo. 




---X---


Um comentário:

  1. O céu é infinito e todos tem lugar onde podem brilhar, s ofuscar s claridade dos outros. Os políticos querem aparecer sozinhos e o tempo todo! Mas esperar o que??? Politicos!!!

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