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Nossa missão: Dar vazão às mentes e às vozes que querem questionar e repensar o Brasil de uma maneira distinta, objetiva e imparcial.
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domingo, 14 de abril de 2019

Quando não é 8, é 80



Cena 1:

                    Na madrugada de 7 de dezembro do ano passado, no município cearense de Milagres, cerca de 475 km de Fortaleza, durante confronto entre policiais e bandidos que pretendiam assaltar bancos na cidade, 14 pessoas foram mortas, sendo elas 8 criminosos e 6 reféns, sendo estes membros da mesma família que estavam de passagem pela região, oriundos do sertão pernambucano. Como é de praxe, quiseram crucificar a polícia, alegando que, como todos os mortos foram abatidos por tiros de fuzil, portanto, todos foram mortos pelos policiais, porque os bandidos estariam usando apenas revólveres e espingardas, e que, portanto, não poderiam ter feito tanto mal assim, porque eram uns pobres coitados. Trata-se de um argumento vazio, porém, ao mesmo tempo, politicamente tendencioso e paternalista. Não obstante, cerca de 30 pessoas devem ser indiciadas, neste caso, entre policiais e bandidos sobreviventes.


Cena 2:

                    Na tarde do último domingo, dia 7, nas proximidades da Vila Militar, no Rio de Janeiro, militares do Exército Brasileiro abordaram um carro onde viajava uma família e teriam efetuado pelo menos 80 disparos, ceifando a vida de um pai de família inocente. Eles alegaram haver confundido os ocupantes do veículo com assaltantes. O caso está sob investigações tanto da Polícia Civil como da própria força. Para quem está distante da cena, no tempo e no espaço, fica difícil compreender as circunstâncias do que aconteceu, mas parece evidente que 80 tiros contra um carro de passeio com uma família foi um abuso. Talvez os soldados estivessem com as cabeças e as orelhas quentes, de tanto receber ordens e cobranças, mas por que não guardaram aquelas 80 munições para os traficantes??? 


                    Entende-se que é necessário, sempre que acontece algo assim, apurar os fatos e conhecer bem as circunstâncias, a fim de coibir abusos de autoridades. As mortes de civis inocentes sempre são profundamente lamentáveis e, às vezes, são evitáveis, mas quem causar toda aquela situação, no caso o bandido, é quem deveria arcar com as consequências. Mesmo assim, não podemos deixar de acreditar em nossas forças de segurança, de respeitá-las e de apoiá-las. É inconcebível que a sociedade se volte contra elas.


                    Não é de hoje que existe no Brasil essa cultura de, eventualmente, a opinião pública se apaixonar por bandidos, ao ponto de endeusá-los e alçá-los aos status de heróis, de astros da TV ou do cinema, de escritores ou mesmo de políticos, em detrimento de policiais que, ocasionalmente, se veem obrigados a, no cumprimento do dever, matar bandidos, que são protegidos por leis ambientais, principalmente em se tratando de menores de dezoito anos de idade. 


                    No Nordeste brasileiro, por exemplo, ainda persiste aquela visão romântica do cangaçoLampião e outros cangaceiros ainda são vistos como heróis, por terem se insurgido contra um sistema socioeconômico opressor e quase feudal vigente à época. Temos ainda como (maus) exemplos de heróis populares: o Bandido da Luz Vermelha, que aterrorizou São Paulo, no anos 60,  "Johnny" Estrela, traficante carioca dos anos 80, que virou tema de filmeLeonardo Pareja, assaltante e sequestrador de classe média, que comandou uma rebelião, num presídio em Goiás, até ser assassinado por outros detentos e ter seu caixão coberto com a Bandeira Nacional, nos anos 90, e agora os participantes de um reality show sazonal na TV.


                 Por essas e outras, ainda se espera que o novo governo venha a quebrar esses paradigmas, para que o Brasil venha a ser um país mais decente e mais seguro, com heróis de verdade, de quem devamos nos orgulhar realmente.



---X---



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