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Nossa missão: Dar vazão às mentes e às vozes que querem questionar e repensar o Brasil de uma maneira distinta, objetiva e imparcial.
O Profeta diz a todos: "eu vos trago a verdade", enquanto o poeta, mais humildemente, se limita a dizer a cada um: "eu te trago a minha verdade."

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domingo, 21 de abril de 2019

Contemporaneidade




                 Se você já teve a curiosidade de sintonizar seu rádio, numa estação de ondas médias, vulgo AM, numa manhã de Sexta-Feira da Paixão, deve ter se deparado com uma programação diferente da habitual das emissoras de rádio de nossos dias. Deve ter ouvido, por exemplo, uma espécie de radionovela, como aquelas que eram produzidas, antes da popularização da televisão, cujo enredo era uma trama recheada com intriga, inveja, traição, calúnia, paixão, morte, ressurreição e amor. 


                 Estamos falando de uma história com foco nos últimos dias da vida terrena de Nosso Senhor Jesus Cristo, que foi radiofonizada por uma grande equipe de produção da antiga Rádio Nacional do Rio de Janeiro, em 1959, numa produção que foi considerada ousada para a época e que saiu com uma sonoridade que lembrava os maiores sucessos do cinema americano da época, como Ben Hur, por exemplo, cujo enredo, por sinal, também tangenciava a história de Jesus Cristo. Essa representação tem sido reproduzida por diversas rádios brasileiras, ao longo de sessenta anos, e impressiona pelo realismo. Quem fechar os olhos, enquanto ouve a apresentação, pode facilmente visualizar as cenas, em sua imaginação.


                 Antes de começar a história principal, o narrador exorta o ouvinte a refletir sobre seu cotidiano e sua condição, quando ele diz que o ser humano está sempre em busca de um caminho, onde quer que ele viva, porque a vida é um eterno bater em portas que parecem que nunca irão se abrir. Até que uma terceira pessoa, um homem que se lamenta por estar em dificuldades financeiras, ao lado de seus filhos e de sua mulher grávida, vem confrontar o narrador, dizendo já ter ouvido falar nas palavras de Jesus Cristo, mas que "elas foram ditas, há mais de dois mil anos, quando tudo era diferente". O narrador rebate que as coisas não eram tão diferentes assim, nos tempos de Cristo, e exemplifica isso, quando insere no meio da narrativa algumas cenas do mundo contemporâneo como, por exemplo, a cena de uma família judia desesperada, porque seu chefe está prestes a ser preso por soldados nazistas e enviado a um campo de concentração, e a de um jovem que trabalha num banco e confessa ao seu pai que caiu na tentação de desviar dinheiro do caixa para enriquecer.


                 Apesar de a história da Paixão, Morte e Ressurreição de Cristo já ter sido exaustivamente explorada, em incontáveis versões, na literatura, no teatro, no cinema, no rádio, na TV e na internet, ao longo dos séculos, sempre dá para se tirar coisas novas dela, toda vez que é repassada. É uma fonte inesgotável. Naqueles idos, em Israel, assim como no Brasil, havia muita religiosidade e pouca espiritualidade. As autoridades religiosas eram muito rigorosas, ao cobrar dos fiéis os tributos e a rígida observância das leis, dos ritos e das tradições. Elas colocavam Deus, os profetas e a santidade num pedestal intangível para pobres mortais e pecadores, ao ponto de considerarem que ninguém era suficientemente puro e perfeito como os fariseus para ser digno de pronunciar o nome de Deus, muito menos de chamá-lo de pai ou de demonstrar ter alguma intimidade com Deus, por exemplo. Por essas e outras, Jesus Cristo criticava a hipocrisia dos fariseus, ferindo-lhes os brios e escandalizando-os, principalmente quando operava milagres aos sábados, quando não era permitido sequer fazer o bem.


                 Em sua trajetória, Jesus devolveu as esperanças de muitos que já as haviam perdido. Deu muitas amostras de quem Ele era e do que seria capaz de fazer. Curou muitos doentes e ressuscitou alguns mortos. Em sua história, falava-se muito das relações entre mães e filhos, de mães que sofriam por seus filhos, a começar por sua própria mãe, Maria


                 Não deixa de surpreender aquela sede de sangue da multidão que pedia a cabeça dele, quando dias antes o saudava com ramos, apesar de vermos coisas semelhantes na atualidade, quando parte da população vai às ruas pedir a deposição de um presidente da República ou muitos estão na audiência de um reality show da TV, votando para que um dos participantes da casa caia, por exemplo. Diante de Pilatos, Jesus teve sua liberdade preterida em favor de Barrabás, que era um criminoso efetivamente mal e perigoso. Tal como no Brasil, as pessoas também preferiam ovacionar e endeusar bandidos. Durante o trajeto até o Calvário, arrastando a cruz, Jesus caiu algumas vezes ao chão, sob aquele fardo, de tão debilitado que estava, assim como caímos muitas vezes, ao longo da vida, mais que um jogador de futebol caindo em campo, durante os jogos da Copa do Mundo. Jesus Cristo estava no auge de sua vida terrena, e era chegado o momento principal que daria sentido à sua existência. E veja o quanto ele foi insultado e agredido, apenas por ser quem era. Sua morte daquela maneira foi uma grande injustiça, tal como as injustiças que também vemos e sentimos, no nosso dia a dia, mas ele teve de passar por cima dela.


                 Você já passou por situações similares às de Jesus, guardadas as devidas proporções, em que havia algum risco de se desconectar do mundo e de não voltar mais, por menor que fosse, como um procedimento diagnóstico invasivo ou cirúrgico, por exemplo. Situações que seriam como mergulhar nas águas profundas de uma caverna, de um açude, de um rio ou de um mar, para depois emergir, alguns metros adiante. Ele foi, e voltou. Consequentemente, você também.


                  Independentemente de suas convicções religiosas, mesmo que você não tenha Cristo como referência de Salvador da humanidade, vale a pena conhecer ou reconhecer uma das histórias mais dramáticas, mais complexas e, ao mesmo tempo, mais belas da humanidade. Pois você já deve ter percebido que esses dias não são dias como outros quaisquer, mesmo sendo feriados. Este feriadão serviu para lembrar uma data em que os rumos da história da humanidade foram decididos, e talvez nós que vivemos no terceiro milênio não tenhamos tanta percepção disso. Por isso, vale a pena sair de sua zona de conforto e pensar um pouquinho mais fora da caixa. 


                  Se esta semana foi santa, a sua semana foi também realmente santa? O que você teria feito para tentar santificá-la, além de fazê-lo por meio de seu trabalho? Depois deste momento de contemplação, precisamos voltar o olhar para fora e demonstrar amor pelo irmão. Porque ver Jesus sofrendo e morrendo na cruz e se emocionar é fácil, mas somos capazes de perceber nossos irmãos sofrendo por perto e ter os mesmos sentimentos???

                Feliz Páscoa a todos!!!




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