Tire o pé do acelerador e redimensione sua vida.

Tire o pé do acelerador e redimensione sua vida.
Tire o pé do acelerador e redimensione sua vida.
O Profeta diz a todos: "eu vos trago a verdade", enquanto o poeta, mais humildemente, se limita a dizer a cada um: "eu te trago a minha verdade."

Mario Quintana

Editorial

Embora o Brasil não esteja em uma boa fase de sua história e não esteja sendo bem administrado, retroceder ao passado, principalmente àquele passado mais remoto e sem resultados satisfatórios para a coletividade, não é a solução.

Uma geração acreditou que, quando a oposição chegasse ao poder, finalmente, sentir-se-ia representada. Votou em um candidato à presidente que caiu e se levantou, algumas vezes, mas agora já não sabe mais em quem confiar, porque não há mais representações legítimas, para os trabalhadores e os estudantes. Existem apenas partidos para representar seus próprios interesses ou defender os privilégios de seus aliados diretos.

Dar vazão às mentes e às vozes que querem questionar e repensar o Brasil de uma maneira distinta, objetiva e imparcial. É para isto que estamos aqui.

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terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Em busca da fonte da juventude 5


Nestes dias, enquanto o brasileiro aproveita o feriado de carnaval para pular o carnaval, eu aproveito para fazer algo diferente, embora eu também seja brasileiro. Aproveito para investir este precioso tempo em que estou parado em casa para abastecer a mente e amolar meu machado, tentando por as minhas leituras em dia. Preciso aproveitar também este pit-stop e dedicar um pouco do meu tempo a pensar em como investir melhor meu tempo.

Se eu não gosto de carnaval, eu tenho o direito de ficar em casa, descansando e fazendo o que eu gostar de fazer, não é verdade? Não sou obrigado a curtir o feriado da mesma forma que os outros. Não sou contra o carnaval, nem acho que ele deva acabar. Pelo contrário, a tradição deve continuar. Afinal, o povo brasileiro já é muito sofrido, trabalha demais para enriquecer a elite e o Estado, mas vive mediocremente. Deixemos então estes quatro dias sagrados para sairmos da nossa condição miserável. 

Mas, de repente, vejo alguns de meus princípios abalados. Isto não quer dizer necessariamente que eu esteja com inveja daqueles que estão agora nos bailes, nas praias, nas serras, nos sertões ou nos retiros religiosos. Ninguém está me pressionando ou me pressionou a viajar. Por enquanto, estou bem como estou, mas, quando eu casar e tiver filhos, terei de dedicar um tempo a eles. Terei de viajar com eles em um feriado como este. Afinal, eles merecem, eles precisam desopilar, como se diz no bom dialeto cearense, um pouco da rotina. Viver só de casa para a escola, ou vice-versa, não dá, não é verdade?

Para ser mais objetivo, o que está me incomodando hoje é a pergunta que me vem à mente e que não quer se calar: será que eu estou aproveitando adequadamente meu tempo livre? Será que estou aproveitando adequadamente este feriado? Ou será que estou apenas me fechando em casa e deixando de aproveitar a vida, com medo de viver? O que quer dizer “aproveitar a vida”? Seria, por acaso, viajar com os amigos ao litoral, se hospedar numa casa alugada funcionando como albergue, ao melhor estilo “BBB”, ver muita gente bebendo, dançando e “ficando”, ao som de um trio elétrico, e, apesar de tudo, sentir-se indiferente e solitário, incapaz de se misturar com aquela cena, porque nada daquilo acrescentaria algo relevante à sua vida??? 

Não, não quero aproveitar a vida assim. Não tenho mais idade para essas coisas. Quando eu tinha idade para fazer tais estripulias, eu não tinha dinheiro nem animo para isso. Tampouco as pessoas com quem eu convivia faziam questão da minha companhia e tinham algo a me acrescentar, especialmente em feriados como este. Preferia me refugiar no calor do lar paterno e materno. Eu já pensava mais ou menos da mesma forma que penso hoje.

Às vezes eu me pergunto se eu não sou meio casmurro, ou seja, se não sou meio careta em relação à vida. Às vezes me pergunto se não é assim que as pessoas me veem, se elas não acham que minha companhia é desagradável e inócua. Sei lá, se isso já não é algum delírio meu, um delírio que peguei de algum paciente ou que já venho carregando há anos.

Talvez o que me leve a me interrogar se estou no lugar certo e na hora certa é aquela minha velha companheira, aquela sensação de que estou sempre me esquecendo de algo, de que está sempre faltando alguma coisa na minha vida. De fato está. Eu só sei que sinto frio, porque sinto falta dela aqui me abraçando esta noite. Sinto falta da minha menina, que sempre me compreendeu e acompanhou esse meu ritmo de vida. Nenhuma outra teria tido a mesma paciência e o mesmo carinho comigo. Ela tem quase a mesma idade que eu, poderia tranquilamente envelhecer ao lado dela, cuidando e sendo bem cuidado por ela. Duvido muito que eu encontre alguém melhor que ela. Mulheres assim, na minha geração, não existem mais. 

Se eu me engraçar com alguma fulana que seja mais atraente fisicamente e mais jovem, além de interesseira, eu vou me encrencar, porque, depois da minha menina, o resto do mundo é pura ilusão. Achar que vou encontrar um novo amor numa piriguete, por exemplo, é perdição. Não há ninguém mais dedicada e mais amorosa do que ela. Eu marquei a vida dela, e ela, a minha. Com ela, minha juventude se foi. Espero que volte, um dia.

Estes dias, estou muito nostálgico. Me passa pela mente um fluxo contínuo e perturbador de lembranças boas e más dos meus últimos dez anos. Preciso me sentar para começar a filtrá-las. De qualquer forma, eu podia ter aproveitado melhor a década passada. Encerro por aqui, deixando o clipe de “Tempo Perdido”, da Legião Urbana. Essa é a minha cara.





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