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domingo, 4 de maio de 2014

As aparências enganam


                   Há alguns meses, quando minha namorada estava em processo de mudança de endereço, trazendo toda sua história de vida, do interior para a capital, estava ajudando os rapazes do caminhão de fretes a desembarcar a mobília no condomínio, quando um dos moradores da rua começou a gritar e apontar na direção de um dos nossos ajudantes, quando este estava conversando comigo na rua. Momentos depois, caiu a ficha. Soubemos que o tal morador havia pensado que o rapaz estivesse me assaltando, quiçá pela sua aparência física, moreno, estatura mediana, magro, trajando boné, bermuda e camiseta.

                   Não demorou muito até que desfizéssemos o equívoco, mas confesso que, se fosse eu um policial, não conhecesse o rapaz e estivesse passando por lá ou o visse em qualquer lugar, sem o intuito de ofender ou de ser preconceituoso, antes de tirar qualquer conclusão a respeito dele, eu o observaria por alguns instantes, depois o pararia, o abordaria gentilmente e o revistaria, para desencargo de consciência e para cumprimento do meu dever de preservar a segurança da população. Depois, se nada encontrasse que o pudesse incriminar, desculpar-me-ia pela abordagem e pelo constrangimento causado.

                   Aquele episódio me fez lembrar do caso do pedreiro Amarildo de Souza, que teria sido abordado por policiais da UPP (Unidade de Polícia Pacificadora) instalada na comunidade da Rocinha, no Rio de Janeiro, em julho de 2013, ocasião em que ele teria sido levado para a base da UPP, onde teria sido torturado e assassinado por aqueles policiais e seu corpo teria sido ocultado. Quase um ano depois, ele ainda não foi localizado, mas já foi oficialmente declarado morto. Ainda não ficou bem claro porque Amarildo teve aquele triste fim, mas tudo indica que ele teria sido incomodado apenas por conta de sua aparência somada ao fato de ser morador de uma das maiores favelas do Rio de Janeiro. Na verdade, Amarildo era apenas mais um pai de família no lugar errado e na hora errada.

                  Lembrei-me também do caso mais recente de um ator global que passou pelo menos duas semanas preso por engano, ao ser confundido com um assaltante. A suposta vítima do suposto assalto, uma copeira humilde, o teria reconhecido, logo após o delito, mas, posteriormente, admitiu não ter realmente a certeza de que fosse ele o autor do delito. Sem querer acusar alguém de racismo, mas talvez o fato de o ator ser afrodescendente, somado ao desejo de encontrar logo um culpado e dar uma resolução ao caso, tenha contribuído com a atitude precipitada dos policiais que atenderam a ocorrência, quando o abordaram e o prenderam de imediato, logo que o avistaram.

                  É bom que se ressalte que nem todas as pessoas que se enquadram na descrição feita no primeiro parágrafo deste texto são pessoas de má índole. Eu mesmo, por vezes, me enquadro na descrição acima, quando estou de folga, em casa ou fora dela. Como já deve ter sido dito, se você me visse por aí, você também se perguntaria se estamos em um aeroporto, em uma rodoviária ou em um estádio de futebol.

                  No entanto, lamentavelmente, a maioria dos seres mal intencionados que andam soltos pelas ruas poderiam ser caracterizados daquele modo, fazendo que os justos sofram por culpa dos pecadores. Então, é bom que se analise cada situação com calma, a fim de que não se cometam injustiças. Queremos mais paz, segurança e justiça, mas sem mais injustiças, sangue e lágrimas. Concordo que deve haver uma política de controle do crescimento das cidades e de suas populações, bem como de moralização da sociedade, especialmente voltadas para as categorias que se considerem excluídas, mas sem mais generalizações extremas e sem mais segregações negativas, por favor. Conversaremos mais sobre isto.



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