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Nossa missão: Dar vazão às mentes e às vozes que querem questionar e repensar o Brasil de uma maneira distinta, objetiva e imparcial.
O Profeta diz a todos: "eu vos trago a verdade", enquanto o poeta, mais humildemente, se limita a dizer a cada um: "eu te trago a minha verdade."

Mario Quintana

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Lição moral bastante atual

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sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Estado de sítio 3


                 Há quem defenda a instalação de uma nova ditadura militar no Brasil, acreditando que um governo militar restauraria a paz e a segurança. Não acredito que isso deva resolver nosso problema atual, porque aquele governo militar foi instalado em 1964, dentro de um contexto geopolítico bem diverso do atual, com objetivos diversos dos atuais. Além disso, os militares já tiveram sua oportunidade de transformar o Brasil num lugar melhor para se viver, mas a desperdiçaram.

                 O Brasil, lamentavelmente, sempre foi um país com fama de desorganizado e indisciplinado. Os militares alegaram ter tentado salvar o país, mas acabaram por levá-lo mais ainda à perdição. Grupos armados como o Comando Vermelho, por exemplo, surgiram justamente durante o regime militar, que tinha recursos para coibir as ações desses grupos e desmantelá-los. Entretanto, não o fez, porque estava mais preocupado em perseguir aqueles que eram considerados comunistas e subversivos, ou seja, aqueles que eram vistos como ameaças ao governo, fazendo assim, vista grossa para a ascensão do narcotráfico.

                 Todo o aparato de segurança pública da época, especialmente os serviços de inteligência, estava basicamente voltado para monitorar não apenas os guerrilheiros, mas também qualquer cidadão considerado inimigo do poder público. Era impressionante o poder da segurança pública na época. Agentes das forças de segurança estavam infiltrados em todos os lugares, onde menos se pudesse esperar, e a população em geral colaborava com as autoridades. Era tão impressionante a capacidade de penetração do Estado, por meio de seus agentes, que, muitas vezes, as polícias já conseguiam prever a ocorrências de certos crimes antes mesmo de seus autores. Bem que esses mecanismos poderiam ser empregados em segurança pública, no nosso tempo, sem os vieses políticos do passado, obviamente.

                  Enfim, acredito que estejamos mesmo chegando ao limite de nossa tolerância, com relação aos nossos bandidos, por não sabermos mais o que fazermos com eles, e que, logo mais, será inevitável adotar medidas mais enérgicas, que farão toda a sociedade brasileira perecer, em um regime de exceção, com a suspensão temporária do Estado Democrático de Direito e dos direitos individuais que ele nos propicia, justamente para protegê-lo, o que parece contraditório. Entretanto, para que seja declarada oficialmente uma guerra à criminalidade, com a instalação de um Estado de sítio, envolvendo o empenho máximo das forças de segurança e a colaboração e a compreensão da população, não é necessária a subida de uma autoridade militar ao poder. A atual Presidenta da República, mesmo sendo civil, poderia decretar Estado de sítio, concedendo carta branca para que as forças de segurança tomem todas as atitudes que julgarem necessárias para chegarem ao cerne da criminalidade e, assim, conseguirem o restabelecimento da paz e da ordem social, ainda que, infelizmente, isso signifique suspensão temporária do respeito aos direitos humanos.

                


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