O Profeta diz a todos: "eu vos trago a verdade", enquanto o poeta, mais humildemente, se limita a dizer a cada um: "eu te trago a minha verdade."

Mario Quintana

Christmas time is here again - The Beatles

Desejamos um Feliz Natal e um 2018 de bênçãos.

Desejamos um Feliz Natal e um 2018 de bênçãos.
Que não se percam os verdadeiros sentidos do Natal e da vida.

Boas festas

Boas festas
Desejamos um Feliz Natal e um 2018 de bênçãos.

Editorial

Embora o Brasil não esteja em uma boa fase de sua história e não esteja sendo bem administrado, retroceder ao passado, principalmente àquele passado mais remoto e sem resultados satisfatórios para a coletividade, não é a solução.

Uma geração acreditou que, quando a oposição chegasse ao poder, finalmente, sentir-se-ia representada. Votou em um candidato à presidente que caiu e se levantou, algumas vezes, mas agora já não sabe mais em quem confiar, porque não há mais representações legítimas, para os trabalhadores e os estudantes. Existem apenas partidos para representar seus próprios interesses ou defender os privilégios de seus aliados diretos.

Dar vazão às mentes e às vozes que querem questionar e repensar o Brasil de uma maneira distinta, objetiva e imparcial. É para isto que estamos aqui.

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sábado, 1 de março de 2014

Esquecer é uma necessidade


                          A frase que dá título à esta postagem foi retirada de um pensamento de Machado de Assis, notável escritor brasileiro do final do século XIX, e fiquei conhecendo-a por meio do caderno de questões da prova de um concurso público que prestei recentemente. Na capa do caderno, havia algumas instruções, e uma delas dizia que o candidato deveria transcrever aquela frase no cartão de respostas com sua caligrafia usual. Deve ser algum tipo de ferramenta que eles usam para identificar o candidato e evitar fraudes. 

                          Quiçá eles tenham escolhido a frase também para justificar que, às vezes, esquecer informações e detalhes que geralmente não julgamos importantes, mas que acabam se revelando essenciais, em algum momento da vida, seria inconscientemente necessário para a condição humana, a fim de nos lembrarmos de que não somos infalíveis, de sabermos valorizar algumas coisas que perdemos e de eliminarmos algum peso que se mostra inútil em nossas mentes, na maior parte do tempo.

                          Sherlock Holmes, lendário detetive da literatura inglesa da Era Vitoriana, em seu livro de estreia, Um Estudo em Vermelho, defendia que a mente humana tem capacidade de armazenamento limitada porque não é elástica. Então,  para que alguns aprendizados novos fossem incorporados, aprendizados antigos teriam que ser descartados. Portanto, segundo sua teoria, o acervo de nossas memórias precisaria ser constantemente reciclado.

                          De fato, a teoria acima é válida, considerando que, por vezes, precisamos praticar o desapego e dar uma arrumada na casa, separando coisas velhas e doando-as, para que venham coisas novas. Assim, há experiências pelas quais preferiríamos não ter passado, consequências de escolhas equivocadas feitas nos lugares e nos momentos menos adequados. Há também momentos que gostaríamos de apagar não somente de nossas memórias, mas, se nos fosse possível, voltaríamos no tempo e os apagaríamos da história, para que eles nunca tivessem existido, nem para nós, nem para o mundo.

                          Na verdade, nada se apaga completamente de nossa memória. As informações mais antigas e menos utilizadas são apenas deslocadas para a periferia da mente, uma espécie de "arquivo morto", de onde podem ser mobilizadas algum dia, caso um estímulo casual às evoque, enquanto informações mais recentes dão entrada na memória.


                          De qualquer maneira,  desfazemo-nos de experiências antigas, mas não dos aprendizados que as acompanharam, para que venham novas experiências e novos aprendizados. Porque a minha lousa, por exemplo, já está visualmente poluída e de leitura confusa. Precisa, portanto, ser passada a limpo.



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