O Profeta diz a todos: "eu vos trago a verdade", enquanto o poeta, mais humildemente, se limita a dizer a cada um: "eu te trago a minha verdade."

Mario Quintana

Editorial

Embora o Brasil não esteja em uma boa fase de sua história e não esteja sendo bem administrado, retroceder ao passado, principalmente àquele passado mais remoto e sem resultados satisfatórios para a coletividade, não é a solução.

Uma geração acreditou que, quando a oposição chegasse ao poder, finalmente, sentir-se-ia representada. Votou em um candidato à presidente que caiu e se levantou, algumas vezes, mas agora já não sabe mais em quem confiar, porque não há mais representações legítimas, para os trabalhadores e os estudantes. Existem apenas partidos para representar seus próprios interesses ou defender os privilégios de seus aliados diretos.

Dar vazão às mentes e às vozes que querem questionar e repensar o Brasil de uma maneira distinta, objetiva e imparcial. É para isto que estamos aqui.

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sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Ordem e progresso 2


                   Deu no jornal que os preços das passagens de avião, para voos domésticos a serem realizados na época da Copa do Mundo, devem disparar. Na verdade, já dispararam. E o governo não pode impedir, porque as companhias aéreas podem cobrar o que quiserem e ninguém pode intervir legalmente na livre concorrência entre elas. Afinal de contas, quem vai ganhar com a Copa do Mundo no Brasil??? Seremos nós mesmos, os brasileiros??? Temos mais a ganhar ou a perder???

                   Então, estava pensando com meus botões, tentando entender porque o Brasil é do jeito que é, cheio de mazelas. Não vivemos com qualidade de vida, independente de nossas classes sociais. Tudo aqui funciona precariamente, quando nos comparamos com outros países, mesmo que não sejam tão ricos como o nosso. Saúde, educação, transportes, segurança, comunicações, entre outros serviços que não funcionam a contento, mesmo quando prestados pela iniciativa privada.

                   Seria pobreza? Acho que não, porque o Estado tem recursos suficientes para prover a população com tudo que ela precisa. O problema é que esses recursos são muito mal distribuídos. Além disso, mesmo em países mais pobres, como a Bolívia, por exemplo, pessoas não roubam nem matam tão livre e impunemente como fazem aqui. Se compararmos os Estados brasileiros, veremos que os mais ricos e desenvolvidos são justamente os mais violentos.

                   Seria o tamanho do Brasil, que é grande demais, e o poder público não consegue chegar a todos os recantos do país? Acho que também não, porque países com maior extensão territorial, como Estados Unidos, Canadá e Rússia, por exemplo, conseguem ser mais desenvolvidos.

                   Seria o Brasil alvo de algum quebranto ou maldição, para que, por mais que nossas terras sejam produtivas, não consigamos nos beneficiar dos frutos delas e, assim, sejamos tão infelizes? Não acredito que maldições venham a atingir justamente o país mais católico do mundo, país supostamente protegido e privilegiado por Deus. Há quem diga que Ele nasceu aqui, mas isto já é uma outra história.

                   Acredito que a culpa seria mais da nossa cultura mesmo, que é libertina e permissiva demais com tudo que está errado. Estive lendo algumas sugestões para melhorar o Brasil, no Blog do Zé Marcos, sendo umas factíveis, à curto prazo, outras não. O mais importante de tudo é que cada um procure pensar no que pode fazer individualmente, dentro de suas possibilidades, para melhorar o Brasil, pensando em como transformar o país com seu trabalho. Não podemos salvar o mundo, mas podemos pelo menos tentar salvar o nosso Brasil. No entanto, por vezes, me pergunto se o Brasil ainda tem jeito, se há algo que possa ser feito para salvá-lo, ou se é mesmo um caso perdido e é melhor partir em busca de qualidade de vida. Ouço muita gente conhecida falando em morar no exterior, e isto é desolador.                

                   Temos que continuar cobrando mais atitude por parte do poder público, mas não podemos nos limitar a esperar por ele. Temos também que tomar nossas atitudes, de acordo com nossas possibilidades. Não podemos esperar que nos vejam lá de cima do Planalto Central em qualquer recanto do país e em qualquer direção. O avião deles precisa decolar primeiro, porque a aridez turva a visão e, às vezes, pode nos fazer ver até mesmo algumas miragens e nos tornar igualmente áridos e insensíveis ao sofrimento alheio.
                


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