O Profeta diz a todos: "eu vos trago a verdade", enquanto o poeta, mais humildemente, se limita a dizer a cada um: "eu te trago a minha verdade."

Mario Quintana

Editorial

Embora o Brasil não esteja em uma boa fase de sua história e não esteja sendo bem administrado, retroceder ao passado, principalmente àquele passado mais remoto e sem resultados satisfatórios para a coletividade, não é a solução.

Uma geração acreditou que, quando a oposição chegasse ao poder, finalmente, sentir-se-ia representada. Votou em um candidato à presidente que caiu e se levantou, algumas vezes, mas agora já não sabe mais em quem confiar, porque não há mais representações legítimas, para os trabalhadores e os estudantes. Existem apenas partidos para representar seus próprios interesses ou defender os privilégios de seus aliados diretos.

Dar vazão às mentes e às vozes que querem questionar e repensar o Brasil de uma maneira distinta, objetiva e imparcial. É para isto que estamos aqui.

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sábado, 16 de novembro de 2013

Comendo bola


                          Não sou fanático, mas gosto de futebol. Gosto de ver os outros jogando, mas não gosto de jogar pessoalmente, pois não tenho suficiente condicionamento físico. O que seria de nós, se não houvesse futebol e outras modalidades esportivas??? Faltaria assunto para deixar mais acaloradas as conversas entre amigos. Faltaria algum tempero para nos entreter e para animar e realçar os sabores de nossas medíocres existências, nos finais de semana, nos feriados e nos dias úteis, após o expediente. Os eventos esportivos em geral são essenciais, para sabermos que ainda estamos vivos, porque eles mostram a vida em movimento e para eles canalizamos nossas atenções e emoções.

                           Então, acompanho os jogos do Brasileirão, na medida do possível, especialmente os do Ceará Sporting Clube, time com o qual me identifico, na série B. Por vezes, acompanho também as partidas do Fortaleza Esporte Clube, eterno rival do alvinegro, aqui na capital cearense, que está na série C. Não, meu objetivo não é "secar", ou seja, mau agourar o desempenho do rival, em suas empreitadas, embora muitos torcedores de lá costumem agir desta maneira, com relação ao meu time. Pelo contrário, faço votos pelo sucesso dos times cearenses em geral. Isso é bom, porque aumenta o prestígio do nosso futebol cearense. Além disso, como diria o filósofo, mantenha os amigos por perto, e os inimigos, mais perto ainda. 

                           Acreditei que o Fortaleza manteria sua boa performance nesta temporada e conseguiria ascender à série B. Me alegra saber que o Icasa, de Juazeiro do Norte, está apresentando boa performance na série B e tem chances de ascender à série A. O Guarany de Sobral foi campeão brasileiro, há alguns anos, da série D, mas parece estar longe de repetir a proeza.

                           Como estamos falando de futebol, deixe-me lembrar um evento interessante. Há quase dois meses, você soube que um massagista de um certo time pouco conhecido invadiu o campo e chutou para fora a bola, impedindo um gol do time adversário, alterando os rumos daquele campeonato. Pois bem, isso também já aconteceu uma vez, no Ceará. Não preciso dizer que foi uma atitude desesperada, antidesportiva e antiética daquele massagista, para tentar mudar os rumos da história, em benefício próprio ou de seu grupo. É o tipo de atitude que, mesmo sendo hilária e por uma boa causa, não aprovaria, se meu filho a fizesse, e tampouco ensinaria a ele a fazê-lo.

                           Tenho sido questionado se já me cadastrei na página da FIFA, a fim de comprar ingressos para alguns jogos da Copa do Mundo, a ser realizada aqui, no próximo ano. Claro que me sentiria honrado em ver de perto um grande evento esportivo internacional sendo realizado em minha cidade, principalmente quando a seleção de futebol do meu país estivesse em campo, mas, neste momento, estou atravessando uma fase conturbada, com muitos problemas a serem resolvidos "prá ontem". Então, não posso gastar tempo e dinheiro agora, para tentar resolver possíveis problemas futuros. Quiçá você me julgue por ter gasto tempo e dinheiro para ir ao show de um cantor estrangeiro, mas não me disponha a ir aos jogos da Copa em Fortaleza, mesmo os da Seleção Canarinho. Entenda que tenho outras prioridades. Copa do Mundo é a menor das minhas preocupações.

                           Só tenho a lamentar porque a cara desta cidade certamente será, em alguns meses, a mesma com a qual já estamos acostumados. Receberá apenas alguns retoques na sua maquiagem habitual, com todas as suas mazelas. Nosso estado de espírito se alterará um pouco, mas, depois que a banda passar, tudo voltará a ser como antes. Não posso entrar nesse clima de festa agora e talvez não entre, quando chegar a época, porque meus dias certamente continuarão corridos como um dia na vida de Jack Bauer, um dia que vale por um ano. 

                           Não se iluda. No íntimo, quase todos os duzentos milhões de brasileiros gostariam de estar presentes fisicamente e em ação, naquele estádio em que a Seleção Brasileira estiver jogando, mas sabemos que isso não será possível, a não ser para, no máximo, uns cinquenta mil aparentemente privilegiados, entre os quais não faço a mínima questão de estar. Até porque aqueles "privilegiados" comerão o pão que o diabo amassou, nos percursos de ida aos estádios e na volta para casa, pois não poderão ir em seus veículos próprios e, ainda por cima, gastarão muito dinheiro com comidas e bebidas, dentro dos estádios, por causa das tabelas de preços no padrão FIFA. Portanto, contentemo-nos em, no conforto de nossos lares, diante da TV, mandarmos boas vibrações para o que deve acontecer em campo.





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