O Profeta diz a todos: "eu vos trago a verdade", enquanto o poeta, mais humildemente, se limita a dizer a cada um: "eu te trago a minha verdade."

Mario Quintana

Editorial

Embora o Brasil não esteja em uma boa fase de sua história e não esteja sendo bem administrado, retroceder ao passado, principalmente àquele passado mais remoto e sem resultados satisfatórios para a coletividade, não é a solução.

Uma geração acreditou que, quando a oposição chegasse ao poder, finalmente, sentir-se-ia representada. Votou em um candidato à presidente que caiu e se levantou, algumas vezes, mas agora já não sabe mais em quem confiar, porque não há mais representações legítimas, para os trabalhadores e os estudantes. Existem apenas partidos para representar seus próprios interesses ou defender os privilégios de seus aliados diretos.

Dar vazão às mentes e às vozes que querem questionar e repensar o Brasil de uma maneira distinta, objetiva e imparcial. É para isto que estamos aqui.

Display

Pesquisar neste blog

Inscreva-se e siga nossa newsletter

Translate us (traduza-nos)

sexta-feira, 7 de junho de 2013

Retorno 2


                Continuemos fazendo um retrospecto da vida, há quinze anos, traçando um paralelo comparativo entre aquela vida e a vida que levo atualmente. Você também não tardará a perceber que há poucas diferenças, como já havia dito.



                Interessante é que, como devo ter dito antes, enquanto o país inteiro se preparava para a Copa, as universidades federais estavam em greve, o mundo estava em crise econômica, por causa das quedas em algumas bolsas de valores, seguiam-se aqueles meus dias de Jack Bauer, dias longos, nos quais, por vezes passava o dia inteiro longe de casa, dias em que fazia planos para o futuro e pedia a Deus para que aqueles dias passassem logo. No entanto, ainda não sentia o mundo desabando na cabeça, como sinto agora. Não tinha tanta preocupação com dinheiro, como agora, nem me preocupava tanto em resolver os problemas dos outros. Já me bastavam os meus. No entanto, me preocupava com os problemas financeiros e familiares de meus pais. O ano de 1998 não deixou de ser um ano nebuloso, em que não víamos uma luz no fim do túnel. Sempre esperávamos boas notícias, mas elas não vinham. Só nos restava esperar o tempo passar e procurar correr com ele para tentar acompanhá-lo.


                Lembro-me de que aquele ano também foi malogrado para o esporte brasileiro, em geral. Pelo que me consta, o Brasil não conseguiu se sagrar campeão em modalidade esportiva alguma, por melhores que tenham sido os desempenhos de nossos atletas. Aquilo, de certa forma, me desmotivava, porque estava também vivendo dentro do contexto de uma competição, mais do que agora, e tinha uma corrida para completar, no melhor lugar possível, pela minha sobrevivência. O ideal era conseguir subir no pódio e receber uma coroa, uma medalha ou um troféu, e oferecê-los aos meus familiares, coisa que já não considero mais tão importante assim.


                Naqueles dias, assim como hoje, o relógio e o calendário corriam, semanas entravam e saiam, não tinha muitas opções de lazer e, por vezes, me sentia sufocado e desejando sair de onde estivesse para ver o mar, assim como quem abre uma janela de sua casa, para ver a paisagem e sentir um pouco da brisa matinal, além de poder me dar o luxo de sentir um pouco o tempo passar e saborear melhor aqueles minutos de vida transcorrendo.


                Por vezes me sinto culpado por morar no Brasil, um país que conta com algumas das mais belas e paradisíacas praias do mundo, principalmente por morar numa cidade litorânea, e não desfrutar devidamente das riquezas naturais que aparentemente estão aqui à minha disposição, debaixo do meu nariz. Por isso, encerramos a postagem com um clipe de "Como uma onda no mar", parte do legado do saudoso Tim Maia, que partiu há quinze anos, canção consagrada também na voz de Lulu Santos, que acabou de chegar aos sessenta. Continuaremos esta conversa noutra postagem.



*******


                

Nenhum comentário:

Postar um comentário