Tire o pé do acelerador e redimensione sua vida.

Tire o pé do acelerador e redimensione sua vida.
Tire o pé do acelerador e redimensione sua vida.
O Profeta diz a todos: "eu vos trago a verdade", enquanto o poeta, mais humildemente, se limita a dizer a cada um: "eu te trago a minha verdade."

Mario Quintana

Editorial

Embora o Brasil não esteja em uma boa fase de sua história e não esteja sendo bem administrado, retroceder ao passado, principalmente àquele passado mais remoto e sem resultados satisfatórios para a coletividade, não é a solução.

Uma geração acreditou que, quando a oposição chegasse ao poder, finalmente, sentir-se-ia representada. Votou em um candidato à presidente que caiu e se levantou, algumas vezes, mas agora já não sabe mais em quem confiar, porque não há mais representações legítimas, para os trabalhadores e os estudantes. Existem apenas partidos para representar seus próprios interesses ou defender os privilégios de seus aliados diretos.

Dar vazão às mentes e às vozes que querem questionar e repensar o Brasil de uma maneira distinta, objetiva e imparcial. É para isto que estamos aqui.

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terça-feira, 26 de junho de 2012

Pensamentos dadaístas 10

                       
                          Tive grande satisfação em descobrir, semana passada, que uma ex-companheira dos meus tempos de colégio, que teria sido vítima de bullying, está celebrando alguns anos de sua atuação como defensora pública em um Estado vizinho. Registro meus votos de parabéns e de vida longa ao seu trabalho.

                          Bullying, o assunto da moda. Eu sei o que é isso. Eu também já fui vítima dele, por onde passei, por não ser o tipo de homem que eu gostaria de ser ou que eu creio que a sociedade gostaria que eu fosse, por não ter demonstrado firmeza na minha personalidade, por ter permitido que o mundo me atropelasse, enfim, por ter vivido como um animal que rasteja. Depois eu quero conversar mais sobre isso.


                          Sobre a Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável, a Rio +20, que foi encerrada na semana passada, tenho a declarar que ela me pareceu mais uma daquelas reuniões de chefes de Estados, ou de seus representantes, à portas fechadas, nas quais eles discutem muito, dificilmente chegam à algum consenso, e, quando chegam, dificilmente o consenso é posto em prática e alguma atitude concreta é tomada. Daqui a dez, vinte anos ou mais, talvez ainda estejam discutindo aquecimento global e emissão de carbono na atmosfera, se não for tarde demais. 

                          Enquanto isso, uma parte da sociedade civil fica do lado de fora se manifestando, de modo ordeiro ou não, sem saber quem vai ouví-la e se vai ser ouvida. Paralelamente à conferência oficial, formaram-se outras conferências espalhadas pela cidade não tão maravilhosa, que, por vezes, mais pareciam feiras livres, onde pessoas de diversos lugares iam se encontrar, o que não tira necessariamente a graça do evento. A minha pergunta é: se você viajou ao Rio de Janeiro, dizendo que ia participar da Rio +20, você viajou para participar da conferência mesmo, para fazer a diferença ou foi apenas para marcar presença, como mais um naquela multidão às margens do encontro oficial??? Se você se considera um ativista ambiental ou membro de alguma ONG, respeito e admiro sua posição. 

                           Não deixaria meu trabalho pendente aqui para ir ao Rio de Janeiro só para fazer volume. Eu prefiro fazer minha parte aqui mesmo por um mundo melhor. Dentro de minhas possibilidades, procuro consumir menos água e menos energia elétrica, por onde eu passo, por exemplo. Procuro também separar o lixo e já estou novamente cogitando a possibilidade de me deslocar entre meu domicílio e meu trabalho de bicicleta, como eu já havia explicado antes. Depois eu quero conversar mais sobre isso.


                          Você soube que o presidente do Paraguai, Fernando Lugo, teve o mandato cassado pelo parlamento de seu país??? Fala-se em golpe "branco" de Estado. O fato é que o novo governo paraguaio não obteve o reconhecimento oficial por parte de outros países do Mercosul, que já apenaram o Paraguai, suspendendo-o do bloco, medida que contou com a aprovação do Brasil.

                          Não sei se houve mesmo golpe ou não, pois desconheço a realidade política daquele país. Aparentemente, ele foi cassado, de acordo com os trâmites jurídicos e burocráticos preconizados pela casa. Agora, como foi instaurado o processo de impeachment e porquê, isso não sei dizer, eu também não entendi, mas parece que não foi nada igual ao processo que se instalou aqui, quando Collor foi cassado, há vinte anos, ou quando o ex-governador do Maranhão, Jackson Lago, foi cassado, há três anos.


                          Tenho pena do povo paraguaio. Lamento por sua instabilidade política maior que a nossa. Deve ser um povo tão sofrido ou até mais sofrido que o povo brasileiro. Suas mazelas sociais alimentam e são alimentadas pelas nossas mazelas sociais. Ainda bem que eles têm pelo menos Larissa Riquelme para consolá-los. Defendo, então, uma integração maior entre os países sul-americanos, pois somos mais interdependentes do que imaginamos. O que acontece no quintal de um, respinga no jardim do outro.


                          Tem gente que pensa que a função do médico psiquiatra é sair julgando e rotulando as pessoas, apontado-as e dizendo se são doentes mentais ou não. Por vezes, nossos amigos e familiares nos tentam fazendo perguntas do tipo " vendo aquele sujeito com aquele cabelo estranho? Ele é doido ou não é?". Esse modelo do "psiquiatra-policial" ou do "psiquiatra-juiz", que vigorava, quando foi escrito o conto O Alienista, de Machado de Assis, não tem mais sentido, nos dias atuais. Por isso me pergunto se esses psiquiatras que estão opinando na mídia sobre o caso Yoki, por exemplo, estão dando diagnósticos ou apenas conjecturando.
                          

                          Como você já deve saber, o Egito finalmente ganhou, no último final de semana, um novo faraó, após a queda da dinastia Mubarak, debaixo de muita pancadaria, há mais de um ano. O problema é que o povo egípicio, mesmo vivenciando as primeiras eleições presidenciais diretas de sua história, ainda se viram entre a cruz e a espada. Ou melhor, entre a meia lua estrelada e a espada. Foi um pleito medíocre e mal organizado às pressas. Apenas dois candidatos. De um lado, um ex-preso político, engenheiro, pai de família e devoto, representando a bancada muçulmana, o lado "progressista" do campo. Do outro lado, um militar, representante do antigo regime, o lado "conservador". Difícil escolha, não???

                          Pois bem, o povo egípicio acabou optando pela novidade, mesmo elegendo um faraó que, pelo menos teoricamente, está mais para um sultão, um califa ou um xeque, apesar dos riscos de o país seguir os passos do Irã estarem um tanto reduzidos, porque a junta militar que está administrando o Egito interinamente podou parte dos poderes presidenciais, e uma nova constituição deverá ser elaborada e promulgada.


                          Sobre aquele caso da advogada que foi assassinada, em uma tentativa de assalto, em São Paulo, há pouco mais de uma semana, presto meus cumprimentos às autoridades policiais por terem agido depressa e chegado logo aos autores do crime, dando uma resposta parcialmente satisfatória à sociedade civil.

                          Entretanto, lamento que crimes como aquele precisem acabar em tragédias para que seja tomada alguma atitude mais incisiva contra os criminosos. Geralmente, a polícia só vai atrás dos bandidos quando eles matam alguém. Se os bandidos desse caso tivessem conseguido o que queriam e a advogada tivesse sobrevivido, duvido que a polícia os tivesse localizado. Seria apenas mais um assalto ou mais um sequestro-relâmpago nas estatísticas. Infelizmente, os crimes só chocam e induzem o governo e a sociedade a tomarem alguma atitude quando têm péssimos desfechos.

                          Some-se também a isso que mais uma vida foi sacrificada para reacender o debate sobre a questão da maioridade penal. O sujeito que efetuou o disparo é um garoto de 17 anos, que teria sido apreendido, alguns dias antes, por roubar um veículo, sendo liberado, em seguida, "por não ter havido flagrante". Veja você como nossas leis, bem como seus aplicadores, são condescendentes com os bandidos, sejam maiores ou menores de idade.

                          Ao meu ver, como eu já devo ter dito aqui antes, menores infratores, contraventores e criminosos também devem receber algum tipo de punição, pois já devem ter algum discernimento entre certo e errado, mas, acima de tudo, o mais importante é punir os maiores de idade que estão por trás desses crimes. O adolescente que atirou na advogada também é vítima, grosso modo. Reza a lenda que, segundo seu pai, na noite do crime, ele teria chegado em casa tarde da noite, estava muito assustado e não conseguiu dormir. Provavelmente esse rapaz nunca tenha matado alguém antes. Seria seu primeiro homicídio e não será o último, se alguma atitude não for tomada para impedir.

                          A polícia e a sociedade se contentam com muito pouco. Precisam prender quem forneceu a arma do crime e quem seria o receptador dos possíveis produtos do roubo e fazer que eles respondam por esse latrocínio.

                          Como é tempo de festas juninas, em cujo clima não pude entrar efetivamente, deixo aqui minha versão, em inglês, para uns versos de uma das canções juninas do centenário rei do baião, Luiz Gonzaga, que como você deve lembrar, foi também homenageado por uma escola de samba, no carnaval do Rio de Janeiro. Essa é para inglês ver mesmo. :)

One night like this
You gave me your heart
There was a party in the sky
Because it was Saint John's Night.

There were baloons in the air
Xote and baião dances in the saloon
And on the yard
I saw your eyes
That burn my heart.



Anarriê!!!
                                                       


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