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domingo, 28 de junho de 2015

Concorrência desleal

 

                  Quem defende a legalização da maconha ou de outras drogas ilícitas deve seguir a mesma linha de raciocínio de quem defende a legalização do aborto, por exemplo. Há quem acredite que, com a liberação da realização do aborto para qualquer gestante que o desejar, em qualquer circunstância que não envolva risco para a vida dela, ofensa sexual ou anencefalia fetal, o procedimento poderia ser realizado livremente, em qualquer hospital público ou privado que tivesse as mínimas condições de atendimento, e diminuiriam não apenas as buscas por clínicas de aborto clandestinas, mas também o interesse geral pela efetivação do aborto. 



                   Do mesmo modo, há quem acredite que, com a legalização da maconha, o interesse pelo consumo dela diminuiria, e o poder público passaria a controlar a produção e a distribuição dessas substâncias, enfraquecendo os poderes dos traficantes.





                   Não cremos que o nosso governo consiga controlar o mercado da maconha, por exemplo, como se propõe a fazer o governo uruguaio. Ele sempre terá de vencer a concorrência com o mercado paralelo, pois não vai conseguir eliminar os traficantes, simplesmente legalizando a droga. Até porque já sabemos que existe "gato" para tudo, como nas ligações clandestinas de energia elétrica e de TV por assinatura, por exemplo.



                   A descriminalização das drogas ilícitas criaria mais dúvidas: como ficariam os crimes cometidos pelos traficantes retroativos à descriminalização??? Ficariam impunes, porque os traficantes deixariam de ser criminosos, de uma hora para outra??? Qual seria o ganho social, em se legalizando, liberando ou descriminalizando aquelas drogas??? Fora a arrecadação de impostos pelo governo aumentada, com a economia formal mais movimentada, haveria alguma mudança boa e significativa no nosso modo de vida???







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