O Profeta diz a todos: "eu vos trago a verdade", enquanto o poeta, mais humildemente, se limita a dizer a cada um: "eu te trago a minha verdade."

Mario Quintana

Editorial

Embora o Brasil não esteja em uma boa fase de sua história e não esteja sendo bem administrado, retroceder ao passado, principalmente àquele passado mais remoto e sem resultados satisfatórios para a coletividade, não é a solução.

Uma geração acreditou que, quando a oposição chegasse ao poder, finalmente, sentir-se-ia representada. Votou em um candidato à presidente que caiu e se levantou, algumas vezes, mas agora já não sabe mais em quem confiar, porque não há mais representações legítimas, para os trabalhadores e os estudantes. Existem apenas partidos para representar seus próprios interesses ou defender os privilégios de seus aliados diretos.

Dar vazão às mentes e às vozes que querem questionar e repensar o Brasil de uma maneira distinta, objetiva e imparcial. É para isto que estamos aqui.

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sábado, 22 de fevereiro de 2014

Aqui se faz, aqui se paga


                      Não sou muito de ver novelas, mas, um dia desses, estava vendo com minha namorada um episódio da novela Anjo Mau, em sua versão produzida pela rede Globo em 1997, contando com Glória Pires no papel principal, e que está sendo reprisada no canal Viva (canal 35 pela Sky). Pois bem, naquele dia, chamou-me a atenção uma fala do personagem Ruy Novaes, político e empresário corrupto, interpretado por Mauro Mendonça. Tentando justificar suas atitudes, ele disse mais ou menos o seguinte:

                      "Não fiz nada de mais. Nada que os outros também não tenham feito. Mas você sabe como são as coisas no Brasil. De vez em quando, escolhem alguns de nós e nos sacrificam, como faziam com os cristãos, nas arenas de Roma, para saciar o povo, passando as impressões de que existem lei e justiça neste país e de que os ricos também vão parar na cadeia".  

                      A fala acima parece bem atual, tanto para a época em que a novela foi gravada como para o presente, principalmente para o presente.


                      Em 1997 e 1998, como já foi dito, o Brasil estava sofrendo as consequências de uma crise econômica mundial, causada pelas baixas em algumas bolsas de valores asiáticas. Muitas universidades federais deflagraram greves, expondo as fragilidades do ensino superior no Brasil. Pairava a suspeita de que o grupo político situacionista estivesse cooptando parlamentares, por meio da compra de votos, a fim de garantir a aprovação de uma lei que permitisse a reeleição para mais quatro anos de mandatos em cargos executivos, principalmente no cargo presidencial. Houve uma intensiva privatização de empresas públicas, principalmente entre as empresas dos ramos de telefonia e de energia elétrica. O destino dos recursos apurados naquelas privatizações é incerto. Para saber mais, recomenda-se a apreciação do livro A Privataria Tucana, do jornalista Amaury Ribeiro Júnior.

                      Naqueles idos, estaria em andamento o dito Mensalão dos Tucanos, um esquema de financiamento ilícito para as campanhas do partido situacionista aos governos federal e de Minas Gerais. Aquele esquema teria inspirado o Mensalão Petista, que veio a ganhar maior repercussão, nos últimos nove anos, culminando no julgamento e na condenação da maioria dos acusados, que já se encontram cumprindo suas penas, enquanto o outro esquema passou anos esquecido, mas tudo indica que será retomado agora.

                      Em suma, no final da década de 1990, o Brasil já estava banhado por um mar de lama. Então, se você é daqueles que acredita que o governo atual é o mais corrupto da história, saiba que, como já foi dito, escândalos de corrupção e instalação de CPIs (Comissões Parlamentares de Inquéritos) para investigá-los, que, na maioria das vezes, terminaram em pizza, sempre existiram. Acontece que, de uns dez anos para cá, surgiram entre a população em geral uma revolta maior contra a corrupção e uma cobrança maior em relação às autoridades por ética e transparência na política. Essas manifestações de revolta e de cobrança por parte do povo aconteceram outras vezes, como se fossem fogos de palha, como na ocasião do impeachment de Fernando Collor, em 1992, mas foram suficientes para que as autoridades se mobilizassem e tentassem aplicar as leis vigentes, punindo exemplarmente os culpados.

                      Desta feita, parece que o fogo de palha virou incêndio. Quiçá as redes sociais tenham contribuído para disseminar a revolta na população, que chegou ao ponto de ir às ruas protestar, em 2013, por diversos motivos, entre eles a realização da Copa do Mundo no Brasil, por exemplo, e, por vezes chegou a cometer excessos, ao depredar patrimônios públicos e privados, por exemplo. E agora virou moda incendiarem-se ônibus, por qualquer motivo. Precisamos conversar mais sobre isto.


                      Como havia predito a fala daquele personagem de novela, os acusados de envolvimento no Mensalão acabaram sendo sacrificados para o deleite popular momentâneo. Como eles eram, em sua maioria, membros do grupo político situacionista, este se encontra execrado moralmente e caiu no conceito de muita gente, apesar de ter feito, grosso modo, algum bem ao país, porque promoveu alguma inclusão social. Entretanto, as três gestões desse grupo político decepcionaram muita gente porque, entre outros motivos, foram nocivas aos profissionais da área de saúde e aos funcionários públicos em geral, por razões que já foram expostas aqui, mas tornaremos a conversar sobre isto.



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