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Nossa missão: Dar vazão às mentes e às vozes que querem questionar e repensar o Brasil de uma maneira distinta, objetiva e imparcial.
O Profeta diz a todos: "eu vos trago a verdade", enquanto o poeta, mais humildemente, se limita a dizer a cada um: "eu te trago a minha verdade."

Mario Quintana

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Lição moral bastante atual

Lição moral bastante atual

segunda-feira, 8 de julho de 2013

Mundo animal 2


          Retomando a conversa sobre a Lei da Palmada, lembrei-me do que escreveu Artur Schopenhauer, filósofo alemão do século XIX, em seu livro "Aforismos para a sabedoria de vida":

Ademais, se examinarmos a natureza humana com imparcialidade, veremos que
golpear e bater são tão naturais ao homem quanto morder é aos animais de rapina e
chifrar é às bestas de chifres. O homem é simplesmente animal que golpeia. Por isso
nos chocamos nos raros casos em que sabemos de um homem mordeu outro, enquanto é
perfeitamente natural e frequente dar ou receber golpes. É evidente que, com mais
esclarecimento e inteligência, de bom grado dispensamos os golpes em favor do
autocontrole mútuo.

          E ainda:

Como consequência, sou levado a condenar os governos e corpos legislativos quando promovem tal superstição ao trabalhar vivamente em favor da abolição de todo castigo corporal, no civil como no militar. Com isso, acreditam trabalhar em interesse da humanidade, quando, pelo contrário, trabalham para fortalecer essa superstição inumana e abominável que já sacrificou tantas vítimas. Para todas as ofensas, exceto a mais grave, infligir golpes é o primeiro castigo que ocorre ao homem, sendo, portanto, natural; quem não se submete à razão, se submeterá aos golpes.

          Entendo que ele quis dizer que todo ser humano é potencialmente agressivo e que sua forma predominante de expressar essa agressividade é bastante peculiar, se comparada às formas de agressividade dos animais inferiores. Enquanto uns se mordem, outros se chifram, alguns se arranham, e os homens se batem. Eu diria que eles também agora se esfaqueiam e até trocam tiros com armas de fogo. E nós achamos tudo isso muito natural. São as impressões que passamos às gerações vindouras. 

          Então, sou contra educar os filhos batendo neles, porque, agindo assim, estou reforçando a legitimação do uso da violência física como forma de resolução de conflitos de interesses entre as pessoas, embora a intenção daqueles que agem assim seja o contrário. Longe de mim passar um mal exemplo desses para meus filhos. Quem bate nos filhos, geralmente não atua de maneira racional, atua pura e simplesmente movido pela raiva, querendo mais extravasá-la do que educar alguém. Bater em crianças é um ato de pura covardia contra pessoas que estão em desvantagem física e hierárquica e que não têm como se defender.

          Quem é contra a Lei da Palmada também deve ser contra a Lei Maria da Penha, que é mais uma tentativa de conter a agressividade humana e que também interfere em assuntos domésticos, quebrando aquela velha cultura machista. Quem bate nos filhos, em geral, também se acha no direito de bater no marido ou na esposa, conforme o caso. Detalhe: a Lei Maria da Penha não se refere apenas às agressões sofridas por esposas, mas visa proteger as pessoas do sexo feminino em geral contra qualquer tipo de agressão. Então, o homem que bate na filha do sexo feminino também estaria sujeito a ser enquadrado nesta lei.

          Você pode alegar que, se não bater nos seus filhos, eles podem tornar-se bandidos, quando adultos. Me desculpe, mas não vejo muito sentido no seu argumento, porque, se ele fosse inteiramente válido, haveria mais criminalidade em muitos países do Primeiro Mundo do que no Brasil. Em certos países europeus, como na Suécia, por exemplo, a civilização evoluiu de tal forma que os cidadãos, em geral, não costumam ser agressivos fisicamente uns com os outros, nem os pais costumam estabelecer castigos físicos para os filhos, nem o Estado estabelece castigos físicos para seus infratores. E, assim, muitos países europeus aboliram todo tipo de penalidades físicas, principalmente a pena de morte. Ainda não terminamos esta conversa.
         

                                                                     *******


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