Já é. Já foi.

O Profeta diz a todos: "eu vos trago a verdade", enquanto o poeta, mais humildemente, se limita a dizer a cada um: "eu te trago a minha verdade."

Mario Quintana

Editorial

Embora o Brasil não esteja em uma boa fase de sua história e não esteja sendo bem administrado, retroceder ao passado, principalmente àquele passado mais remoto e sem resultados satisfatórios para a coletividade, não é a solução.

Uma geração acreditou que, quando a oposição chegasse ao poder, finalmente, sentir-se-ia representada. Votou em um candidato à presidente que caiu e se levantou, algumas vezes, mas agora já não sabe mais em quem confiar, porque não há mais representações legítimas, para os trabalhadores e os estudantes. Existem apenas partidos para representar seus próprios interesses ou defender os privilégios de seus aliados diretos.

Dar vazão às mentes e às vozes que querem questionar e repensar o Brasil de uma maneira distinta, objetiva e imparcial. É para isto que estamos aqui.

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domingo, 8 de outubro de 2017

Sociedade psicotizada



                   Aconteceram dois casos recentes e com ampla repercussão de violência gratuita e dirigida aleatoriamente contra múltiplas vítimas, sendo um em Las Vegas, a cidade do jogo, nos Estados Unidos, onde, na noite de domingo, dia 01, um franco atirador efetuou disparos de fuzil a partir da janela de um hotel contra uma multidão que assistia a um concerto de música country, abatendo fatalmente pelo menos 58 pessoas.



                  Já no Brasil, mais precisamente em Janaúba, no norte de Minas Gerais, na manhã de quinta-feira, dia 05, um vigilante com histórico de problemas psíquicos espalhou álcool e ateou fogo na creche em que costumava trabalhar em plantões noturnos, justamente no seu horário de funcionamento, quando dezenas de crianças estavam em aulas. Pelo menos dez vítimas fatais, a maioria delas crianças, foram contabilizadas até a manhã de sábado, dia 07, entre elas, uma professora que teve o corpo totalmente queimado, ao tentar salvar as crianças, além do próprio autor do atentado.
 

                  No caso acontecido nos Estados Unidos, não há evidências claras de que o autor sofreria de algum transtorno mental, mas acredita-se que ele teria premeditado este e outros atos similares, porque já se sabe que ele tinha uma coleção de armas de fogo, de munições e de explosivos fora do comum para uma realidade onde o acesso aos itens mencionados é amplo e facilitado para qualquer cidadão. Ainda assim, os índices de criminalidade na maioria dos Estados americanos não se equipara aos mesmos índices no Brasil. Já no caso de Minas, há relatos de que o autor sofreria de sintomas depressivos e psicóticos, após uma perda familiar, há cerca de três anos, pelo menos, sem haver se submetido a um tratamento psiquiátrico regular. Em ambos os casos, as autoridades acreditam que foram atos meticulosamente planejados, por causa dos materiais que os autores guardavam. Os motivos e os objetivos ainda são obscuros.


                   Afinal de contas, o que houve com aqueles indivíduos??? E o que está havendo com a nossa civilização??? Existe o temor de que esses eventos venham acompanhados de recrudescimento do preconceito contra pessoas que sofrem de doenças mentais e se tornem pretextos para a criminalização dessas enfermidades. Nem todos os portadores de transtornos mentais precisam ser tratados em ambientes fechados. Nem todas aquelas pessoas são necessariamente capazes de fazer o que os autores dos atentados aqui debatidos fizeram. Por outro lado, como dito, indivíduos com doenças psiquiátricas que cometem crimes não devem ser vitimizados. Nem todos eles são incapazes de responder por seus atos. Cada caso deve ser analisado individualmente.


                   Evitar a criminalização dos transtornos psiquiátricos não deve ser usado como desculpa para o poder público levar adiante uma política de saúde mental enviesada, estúpida, fajuta, demagoga e negligente que, na prática, demoniza os hospitais psiquiátricos, induzindo os cidadãos a acreditarem que sejam instituições desumanas, obsoletas e, portanto, desnecessárias à coletividade, permitindo que os hospitais psiquiátricos remanescentes que dependem basicamente de recursos do SUS para sobreviver morram à míngua (e ainda há quem comemore esse fato), com base na desculpa esfarrapada de que os doentes mentais não precisam daqueles hospitais, que interná-los é uma crueldade e que a sociedade seria capaz de suportá-los apenas por meio dos Centros de Atenção Psicossocial (CAPSs). Quem trabalha nesse sistema perverso e omisso (de cujo descaso o vigilante de Minas talvez tenha sido mais uma vítima) sabe que esse discurso de humanizar a atenção em saúde mental e promover a inclusão social de portadores de doenças mentais por meio da substituição gradual do modelo de atenção hospitalar pelo modelo de atenção ambulatorial e comunitário funciona muito bem no discurso e no papel, mas, na prática, é uma balela. Explicaremos isso melhor noutra oportunidade.

                   Tenha uma boa noite e uma boa semana.



+++++



Um comentário:

  1. Não há explicação, em ambos os casos, COMO pode se conceber que pessoas que têm acesso à compra de armas de fogo (no primeiro caso), ou que trabalham em escolas, creches ou hospitais, não sejam obrigadas a apresentar um atestado médico de sanidade mental!!!

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