Tire o pé do acelerador e redimensione sua vida.

Tire o pé do acelerador e redimensione sua vida.
Tire o pé do acelerador e redimensione sua vida.
O Profeta diz a todos: "eu vos trago a verdade", enquanto o poeta, mais humildemente, se limita a dizer a cada um: "eu te trago a minha verdade."

Mario Quintana

Editorial

Embora o Brasil não esteja em uma boa fase de sua história e não esteja sendo bem administrado, retroceder ao passado, principalmente àquele passado mais remoto e sem resultados satisfatórios para a coletividade, não é a solução.

Uma geração acreditou que, quando a oposição chegasse ao poder, finalmente, sentir-se-ia representada. Votou em um candidato à presidente que caiu e se levantou, algumas vezes, mas agora já não sabe mais em quem confiar, porque não há mais representações legítimas, para os trabalhadores e os estudantes. Existem apenas partidos para representar seus próprios interesses ou defender os privilégios de seus aliados diretos.

Dar vazão às mentes e às vozes que querem questionar e repensar o Brasil de uma maneira distinta, objetiva e imparcial. É para isto que estamos aqui.

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domingo, 6 de agosto de 2017

Festinha na área VIP



                   Na semana que passou, numa das principais áreas VIP do Brasil, que é o Congresso Nacional, o presidente Michel Temer, lançando mão de todos os recursos possíveis para cooptar a simpatia de boa parte dos deputados federais e tentando provar que veio para transformar o Brasil, para o bem ou para o mal, conseguiu se livrar provisoriamente de ser afastado do cargo para ser investigado e possivelmente indiciado pelo crime de corrupção passiva. Naquela mesma área VIP, o clima parecia ser de tanta descontração, como numa festa, que um deputado estaria navegando na internet e, por meio de uma rede social, pedindo que alguém lhe enviasse fotos de nudez. Era o mesmo deputado que teria tatuado o nome do presidente no ombro. Quiçá para mandar beijinhos no ombro.


                   Semana passada, o jogador de futebol Neymar Jr., que protagonizou a transferência de clubes de futebol mais cara já registrada, esteve bem na foto e na área VIP internacional. O Paris Saint Germain, da França, teria desembolsado mais de 200 milhões de euros (cerca de 800 milhões de reais) para que o Barcelona, da Espanha, lhe cedesse o passe do atleta. Espera-se que um investimento tão vultuoso valha não apenas a pena, mas a galinha inteira.


                   Quem também esteve na área VIP no Brasil foi o filho de uma desembargadora do Tribunal de Justiça do Estado de Mato Grosso do Sul, que conseguiu ser transferido de um presídio onde cumpria pena por tráfico de drogas e de munições para uma clínica psiquiátrica, alegando-se que ele seria incapaz de responder pelos seus atos por ser portador de um transtorno psiquiátrico de personalidade. Fatos como esse levantam questões éticas e sociais importantes. Uma questão é que a instalação de uma doença mental não torna necessariamente o sujeito inimputável para responder por eventuais crimes. Depende da doença em questão e da forma como ela afeta o paciente. Cada caso deve ser analisado individualmente. Outra questão é que muitas pessoas que cometeram os mesmos crimes que ele, ou crimes menos graves, permanecem presas nas penitenciárias, quiçá necessitando estar recolhidas para receber tratamentos médicos em ambientes apropriados. O que nos mostra que, na prática, as leis não tem sido aplicadas homogeneamente para toda a sociedade.


                   Fora da área VIP, na pista geral da festa mesmo, a situação da Venezuela vai de mal a pior. A nação pega fogo, e o governo quer enfiar goela abaixo na população uma nova constituição, a fim de legitimar seus mandos e desmandos, além de procurar perpetuar seu grupo político no poder pelo maior tempo possível. Como dito, por vezes o Estado se mostra forte e autoritário demais para com seus cidadãos, pensando apenas em seus próprios interesses, no intuito de vigiar, cobrar e persegui-los, mas se mostra fraco, indolente e benevolente com os criminosos, deixando os cidadãos à mercê dos mesmos.


                   Enquanto tudo é festa para alguns, muitas vidas são ceifadas, no meio do fogo cruzado provocado pelo narcotráfico, como a vida da pequeno Artur, por exemplo, a mais jovem vítima de bala perdida no Rio de Janeiro, que nasceu de maneira antecipada e forçada, após ser baleado onde deveria estar mais protegido, e teve uma breve e conturbada passagem pelo mundo extrauterino. Toda vez que um inocente morre no meio de um tiroteio entre policiais e bandidos, jogam a culpa na polícia e canonizam os bandidos, mas, desta vez, parece que vai ser diferente.


                    Por causa das vítimas que o tráfico faz e pelo estrago que ele faz na sociedade, são compreensíveis as formas como essas questões são tratadas em países como Indonésia e Filipinas, por exemplo. Neste, o governo chegou a autorizar as forças de segurança, e até cidadãos, a atirarem para matar traficantes e usuários de drogas. Naquele, acabou-se seguindo o exemplo. Não podemos nos esquecer também do pequeno Charlie, que teve o direito à vida negado pelas autoridades inglesas, que consideraram sua sobrevivência inviável. É a vida humana cada vez menos valorizada e menos protegida.

                   Tenha uma boa semana.



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Um comentário:

  1. Meu amigo, a semana que passou foi recheada de eventos históricos para o bem ou para o mal.

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