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Lição moral bastante atual

Lição moral bastante atual

quarta-feira, 23 de maio de 2018

O sonho acabou



             Embora pareçamos distantes, nós que fazemos o Jardim das Garrafas Digitais temos observado o que tem acontecido no Brasil, nos últimos meses. A prisão de um ex-presidente da República, seja quem for, não é algo de que devemos nos orgulhar. Pelo contrário, é algo profundamente lamentável e desonroso para nossa história. Apesar de tudo, ainda há quem, numa atitude muito pueril, solte fogos de artifício para comemorar a prisão de um ex-presidente acusado de corrupção, como se isso fosse resolver nossos problemas.


             Por vezes, pensamos que corrupção só existe no Brasil, mas, na verdade, não estamos sozinhos. Veja a situação da Coreia do Sul, onde uma ex presidenta foi acusada de corrupção, presa, julgada e condenada. O caso do Brasil se destaca porque não se trata apenas de um ex-presidente, mas de um líder carismático que representou alguma esperança de ascensão e de justiça sociais para muita gente e cujo governo deixou marcas indeléveis no país, boas e más. Ele próprio se define não como uma pessoa, mas como uma ideia, como algo que não pode ficar preso.


             Se ficou entendido que ele realmente cometeu algum crime, é natural que ele seja devidamente punido por seu delito, mas a detenção dele tornou-se uma faca de dois gumes. Uma vez que o cidadão é detido e começa a cumprir pena, antes mesmo que o seu processo transite em julgado, ou seja, antes que ele seja comprovadamente culpado e não caibam mais recursos para tentar provar a sua possível inocência, morre aquela ideia de que todos são inocentes, até que se prove o contrário. Por outro lado, se a Suprema Corte permitisse que o réu continuasse em liberdade, mesmo após condenação em segunda instância, abrir-se-ia um precedente perigoso para que outros incontáveis réus em processos criminais no mesmo estágio, em todo o Brasil, inclusive criminosos de altíssima periculosidade, pudessem deixar as prisões, antes que seus processos fossem à julgamento definitivo. Note-se que faltou bom senso por parte dos senhores ministros, em não considerar o grau de periculosidade oferecida pelo réu e se sua prisão traria a restauração da ordem pública ou se agravaria a sua perturbação.


             Muitos acreditam que esse ex-presidente foi alvo de uma armação política e de uma injustiça. Parte da opinião pública internacional concorda com isso. Manifestações pela liberdade do condenado eclodiram em todo o país e pelo mundo. Membros de movimentos sociais chegaram a acampar perto da sede da Polícia Federal, em Curitiba, onde ele se encontra recolhido. Se ele próprio se considera inocente e injustiçado e acredita em Deus, deve rezar, para que Ele lhe faça justiça, no momento oportuno. Se for culpado, que se arrependa, peça perdão e forças para atravessar este momento difícil. O seu governo teve fatos ruins e também fatos bons. Sim, ele pode até ter cometido um crime de corrupção, mas seria realmente necessário tamanho estardalhaço, para tripudiar da situação desfavorável de alguém ou para fazer baderna sob o pretexto de apoiar esse alguém, seja por parte da imprensa, de militantes políticos de ambos os lados ou da população em geral, como se ele fosse o pior criminoso do país, para uns, ou o mártir mais perseguido e injustiçado de nossa história, para outros??? 


             O fato é que o dia 07 de abril de 2018 não será lembrado como um dia de festa, mas como uma data infame que deveria ser apagada do calendário. Foi um dia em que a decepção e o asco daqueles que sonharam em se ver representados no poder atingiram seus apogeus. Se, por um lado, foi também um dia em que se provou que todos são iguais perante a lei, por outro lado, nossa honra e nossa bandeira nacionais não deixaram de ser maculados. Em suma, todos os brasileiros saíram perdendo com aquela prisão. É só uma questão de tempo até que todos se deem conta disso.




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