Tire o pé do acelerador e redimensione sua vida.

Tire o pé do acelerador e redimensione sua vida.
Tire o pé do acelerador e redimensione sua vida.
O Profeta diz a todos: "eu vos trago a verdade", enquanto o poeta, mais humildemente, se limita a dizer a cada um: "eu te trago a minha verdade."

Mario Quintana

Editorial

Embora o Brasil não esteja em uma boa fase de sua história e não esteja sendo bem administrado, retroceder ao passado, principalmente àquele passado mais remoto e sem resultados satisfatórios para a coletividade, não é a solução.

Uma geração acreditou que, quando a oposição chegasse ao poder, finalmente, sentir-se-ia representada. Votou em um candidato à presidente que caiu e se levantou, algumas vezes, mas agora já não sabe mais em quem confiar, porque não há mais representações legítimas, para os trabalhadores e os estudantes. Existem apenas partidos para representar seus próprios interesses ou defender os privilégios de seus aliados diretos.

Dar vazão às mentes e às vozes que querem questionar e repensar o Brasil de uma maneira distinta, objetiva e imparcial. É para isto que estamos aqui.

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segunda-feira, 25 de abril de 2016

Cortando da própria carne



Aquele, pois, que pensa estar em pé, cuide para não cair.

I Coríntios 10,12

                      A quem interessa o impeachment, de fato??? Há, realmente, algo a ser comemorado??? Uma vantagem do impeachment talvez resida no fato de que o grupo político da situação perceba que não é infalível. Se eles se consideravam numa posição muito segura e estavam prepotentes e arrogantes, pensando algo como "daqui não saio, daqui ninguém me tira, comigo ninguém pode", eles se equivocaram. Espera-se ainda que esse processo represente o começo e o fim da impunidade no Brasil.


                      Do primeiro mandato da presidente Dilma, entre janeiro de 2011 e dezembro de 2014, quando o discurso era bem diferente de agora, talvez ainda pudesse ser tirado algo de positivo para o país, o que ainda teria enchido de esperanças 54 milhões de eleitores que optaram pela continuidade daquele modelo de governança. Aquele período ainda poderia ser visto como um paraíso, se comparado com estes dezesseis meses transcorridos do segundo mandato, nos quais, como foi dito, o Brasil vem descendo ladeira abaixo, em todos os campos. Então, para a maioria dos brasileiros, não vem ao caso se o impeachment sem crime é um golpe ou não e se ele está previsto na Constituição ou não. O que interessa é que nove em cada dez brasileiros estão plenamente insatisfeitos com os rumos de suas vidas e do cotidiano da nação, porque estão cientes de que o Brasil vai de mal a pior em todos os campos: saúde, educação, geração de empregos, segurança pública, custo e qualidade de vida, entre outros.


                      Portanto, independentemente de a presidente ter cometido mesmo algum crime de responsabilidade fiscal ou não, ela deveria sentar, refletir e concluir que seu governo não está mais dando certo e renunciar logo, para evitar mais desgastes a todos. Se realmente houve esse crime de que a acusam, até agora, ninguém lá em Brasília se entendeu a respeito disso. Talvez seja mais fácil descobrirem se a Capitu traiu mesmo o Bentinho, no livro Dom Casmurro, de Machado de Assis.


                      Embora seja o impeachment um mal necessário no momento, a fim de forçar o governo a tomar algumas atitudes sensatas, como, por exemplo, reconhecer seus erros e o iminente fim da linha, são preocupantes as faltas de lisura, de seriedade, de transparência e de imparcialidade do processo. Antes de sair gritando algo como "Fora, Dilma", o povo deveria ir às ruas gritando algo como " Fora, Cunha", "Fora, Calheiros" ou "Fora, Temer", por exemplo. Se bem que, com relação ao sr. Michel Temer, vice-presidente da República, os únicos pecados conhecidos são: ser filiado ao PMDB, se mostrar um oportunista, aproveitando-se do momento em que assumiu interina e recentemente o governo para atuar como se já estivesse entrando para ficar, e estar lá metido no meio do poder, em Brasília, de um jeito ou de outro, desde os tempos de FHC, ou mesmo antes disso. 
 
 
                      Já, com relação ao sr. Eduardo Cunha, deputado federal, é de se estranhar que ele ainda esteja ocupando o cargo de presidente da Câmara dos Deputados e haver coordenado os trâmites do impeachment naquela casa, mesmo sendo investigado pela operação Lava Jato e por causa de outras irregularidades fiscais, como possuir contas não declaradas no exterior, por exemplo. Seria mais interessante se todos os parlamentares investigados em quaisquer processos fossem moralmente impedidos de votar em questões delicadas como a do impeachment ou de presidir as casas legislativas, por exemplo. Entretanto, há quem defenda que o impeachment seria, na verdade, uma guerra entre quadrilhas, onde não há heróis ou vilões, tampouco vencedores ou perdedores. Porque, independentemente do resultado final, no Senado Federal, o futuro do Brasil ainda não se mostra nada animador. 


                      Em suma, se, por um lado, é motivo de comemoração, quando um povo consegue destronar, por meios políticos ou legais, um governo que não o satisfaz, por outro lado, é motivo de lamentação, porque é algo que deveria ser encarado como uma situação de exceção, ou seja, algo que melhor seria se jamais se fizesse necessário acontecer. Depor um chefe de Estado que fora eleito democraticamente pelo voto popular é algo que deve nos deixar temerosos com relação ao futuro, porque abre precedentes perigosos para a democracia.


                      Para tentar começar bem a semana, sugerimos a leitura de um artigo imparcial e objetivo sobre a presente crise política brasileira na revista britânica The Economist, disponível em http://www.economist.com/news/leaders/21697226-dilma-rousseff-has-let-her-country-down-so-has-entire-political-class-great-betrayal?zid=305&ah=417bd5664dc76da5d98af4f7a640fd8a.





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Um comentário:

  1. Infelizmente estamos passando por uma situação bem complexa em nosso país! E não consigo ver uma saída! Afinal, colocar o Brasil nas mãos de quem? Uma interrogação sem fim...
    http://www.luceliamuniz.blogspot.com.br/

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