O Profeta diz a todos: "eu vos trago a verdade", enquanto o poeta, mais humildemente, se limita a dizer a cada um: "eu te trago a minha verdade."

Mario Quintana

Editorial

Embora o Brasil não esteja em uma boa fase de sua história e não esteja sendo bem administrado, retroceder ao passado, principalmente àquele passado mais remoto e sem resultados satisfatórios para a coletividade, não é a solução.

Uma geração acreditou que, quando a oposição chegasse ao poder, finalmente, sentir-se-ia representada. Votou em um candidato à presidente que caiu e se levantou, algumas vezes, mas agora já não sabe mais em quem confiar, porque não há mais representações legítimas, para os trabalhadores e os estudantes. Existem apenas partidos para representar seus próprios interesses ou defender os privilégios de seus aliados diretos.

Dar vazão às mentes e às vozes que querem questionar e repensar o Brasil de uma maneira distinta, objetiva e imparcial. É para isto que estamos aqui.

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quarta-feira, 10 de agosto de 2016

As olimpíadas do cotidiano




Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé.Desde agora, a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, justo juiz, me dará naquele dia; e não somente a mim, mas também a todos os que amarem a sua vinda. 
2 Timóteo 4, 7:8




        Enfim, começaram os tão esperados e tão desejados Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, e o Brasil inteiro parece estar em clima de festa ou, pelo menos, esta é a ideia que parte da mídia quer passar. Quiçá ninguém mais perceba que, por exemplo, o Rio de Janeiro, por mais que se invista em segurança, continua sendo flagelado pela violência. Há pouco mais de um mês, por exemplo, uma médica foi assassinada numa importante via de grande fluxo, ao retornar de seu trabalho, numa suposta tentativa de assalto. Pouco tempo depois, em São Gonçalo, região metropolitana do Rio, um professor e cabeleireiro foi sequestrado, julgado, condenado e executado a tiros por traficantes de sua comunidade. A acusação: traição. Todo o processo foi registrado num vídeo que foi amplamente divulgado nas redes sociais. Um grande tapa na cara do Estado e da sociedade. É o tráfico nos desafiando e nos lembrando de que continua mandando e desmandando em tudo, com seu poder paralelo. São mais dois casos de violência que passam batido e entram para as estatísticas. 


         Quiçá ninguém mais perceba também que o processo de impeachment da presidente afastada continua em tramitação no congresso, assim como ainda pairam sobre nossas cabeças as ameaças de perdas de benefícios trabalhistas e previdenciários e ameaças de maiores tributações (e tribulações). Mas quem se importaria com essas coisas, neste agosto de Deus e de festa???


          Entretanto, convenhamos que, mesmo alguém sendo contra a realização das olimpíadas no Brasil, eventos como a solenidade de abertura, na última sexta-feira 05, por exemplo, conseguiram mesmerizar as atenções urbi et orbi, embora, naquele quase espetáculo do Le Cirque du Soleil, não estivéssemos tão bem representados assim. Foi a vontade de grande parte do povo brasileiro que grandes eventos como a Copa do Mundo de Futebol de 2014 e os Jogos Olímpicos de hoje, por exemplo, viessem para o Brasil, a fim de massagear e de inflar o ego da nação, ego este que deve ficar mais repleto ainda, à medida que atletas nativos desta terra obtiverem êxito, em sua casa, e seus torcedores puderem constatar isso pessoalmente e com os próprios olhos.


           Começam os jogos, mas você não perde o foco no seu trabalho e segue disputando as competições do seu cotidiano. Por mais que alguém seja contra as olimpíadas no Brasil e por mais ocupado que esteja, não consegue ficar completamente indiferente aos jogos. Como os meios de comunicação estão todos praticamente cobrindo as olimpíadas, o cidadão se flagrará, de vez em quando, acompanhando alguma competição de uma modalidade qualquer e torcendo, em seu íntimo, pelo sucesso dos competidores brasileiros presentes. Assim como o cachorrinho Muttley, ficamos todos sempre na expectativa de medalhas e mais medalhas.


            As olimpíadas nos levam a pensar mais em esportes, não apenas de maneira convidativa na possibilidade de praticarmos regularmente esportes, mas também fazendo uma analogia entre eles e a luta diária de cada um na corrida pela sobrevivência, enfrentando seus demônios e vencendo resistências internas e externas, enquanto a vida segue por um fio, sob o fardo que ela carrega. As tensões e os medos do cotidiano são comparáveis com as tensões experimentadas por atletas de modalidades esportivas como, por exemplo, futebol, vôlei e ginástica olímpica, que são modalidades nas quais os atletas normalmente se encontram gradualmente mais tensos, durante as provas. Atletas em geral são pessoas admiráveis porque conseguem fazer muitas coisas que muitas pessoas comuns não conseguem fazer. Para isso, fora das vistas do público, há muito preparo e muito treino, até que eles estejam condicionados a fazer coisas que surpreendam o público. Primeiramente, eles precisam superar a eles próprios, para depois superar seus concorrentes. 


            Deixando à parte questões políticas e econômicas, a realização das olimpíadas no Brasil deve nos ensinar também que é mais importante tentar unir os povos em torno de um bem comum do que simplesmente fomentar a competição saudável e amistosa entre representantes de centenas de nações, principalmente com a solenidade de abertura tomando lugar no entorno do dia 06 de agosto, dia em que se recorda o lançamento de uma ogiva nuclear sobre Hiroshima, no Japão, em 1945. Outro ponto positivo se deu ao convidarem os atletas a plantar sementes de árvores diversas em pequenos tubos, e as mudas que brotarem naqueles tubos serão plantadas em um terreno destinado à constituição de uma floresta, que deve ficar como um dos principais legados das olimpíadas. Espera-se que não derrubem essa floresta posteriormente para dar lugar a um estacionamento. Depois conversamos mais sobre isso.




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