O Profeta diz a todos: "eu vos trago a verdade", enquanto o poeta, mais humildemente, se limita a dizer a cada um: "eu te trago a minha verdade."

Mario Quintana

Editorial

Embora o Brasil não esteja em uma boa fase de sua história e não esteja sendo bem administrado, retroceder ao passado, principalmente àquele passado mais remoto e sem resultados satisfatórios para a coletividade, não é a solução.

Uma geração acreditou que, quando a oposição chegasse ao poder, finalmente, sentir-se-ia representada. Votou em um candidato à presidente que caiu e se levantou, algumas vezes, mas agora já não sabe mais em quem confiar, porque não há mais representações legítimas, para os trabalhadores e os estudantes. Existem apenas partidos para representar seus próprios interesses ou defender os privilégios de seus aliados diretos.

Dar vazão às mentes e às vozes que querem questionar e repensar o Brasil de uma maneira distinta, objetiva e imparcial. É para isto que estamos aqui.

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domingo, 15 de junho de 2014

Em terra de sapo

                     
                      Estamos de volta, depois de uma breve pausa. Antes tarde do que nunca. O gigante precisava acordar novamente. Agora nos diga o que você acha da realização da Copa do Mundo no Brasil??? Percebeu alguma diferença em sua vida, por esses dias???


                      A copa não mexeu tanto assim com nossa rotina, de acordo com nossa percepção. Nosso ritmo de trabalho se mantém praticamente inalterado. Obviamente, há um clima de festa no ar. Estabelecimentos comerciais e vias públicas enfeitados de verde e amarelo. Os meios de comunicação não falam em outra coisa. O Dia dos Namorados e as Festas Juninas ficaram meio ofuscados, este ano. Escolas e universidades encerraram seus períodos letivos mais cedo. 

                      No entanto, não se vê grande diferença pelo fato de a copa estar sendo realizada no Brasil. O envolvimento e a empolgação das pessoas são os mesmos de outras copas. Até porque, como já foi dito, o percentual de brasileiros que se fazem presentes nos estádios onde são disputadas as partidas ou onde os times treinam, ou seja, o percentual de brasileiros diretamente envolvidos com a realização do evento, seja como plateia, seja trabalhando, é irrisório, frente aos quase duzentos milhões de brasileiros.

                       Acompanhando as transmissões dos outros mundiais, a impressão que tivemos é a de que as cidades-sede eram como casas em festa, com turistas e torcedores de diversas nacionalidades por todos os lados e bebendo, confraternizando com os nativos, todo mundo se divertindo e ninguém trabalhando. Era como se aquelas cidades estivessem integralmente num carnaval. Não vemos Fortaleza da mesma forma, pois, como já foi dito, trata-se de uma metrópole extensa e heterogênea. O clima de festa, portanto, não contagia todos da mesma forma. Turistas de outros países sempre vêm a Fortaleza em todas as épocas, mas eles sempre circulam em ambientes restritos. Para quem mora nas periferias, excetuando-se os horários dos jogos do Brasil, a vida continua. 

                       A diferença mais sensível na nossa realidade, entre esta copa e as anteriores, são os protestos nas vias das principais cidades, que vêm ocorrendo desde a Copa das Confederações, ano passado. Protestos com depredações de prédios públicos e privados e confrontos violentos com as forças de segurança. Protestos que extravasam a insatisfação de parte significativa dos brasileiros com as condições de vida precárias da maioria que ainda vive sem qualidade de vida, pois, apesar dos esforços empreendidos pelo poder público, nos últimos onze anos, ainda falta muito a ser feito.

                       Outra diferença interessante é que, em algumas paróquias católicas de Fortaleza, algumas missas serão celebradas em outros idiomas, nos dias em que houver jogos na Arena Castelão. Talvez a maioria dos torcedores estrangeiros não se lembre ou não se interesse em ir à casa de Deus, nestes dias, a não ser para rogar ou agradecer à Ele pelo bom desempenho de suas seleções, mas, de qualquer maneira, o dom de orar em diversas línguas concedido pelo Espírito Santo pousou entre nós, o convite aos visitantes está feito e eles não têm mais desculpas para recusar.

                       Não estou muito empolgado com este mundial, mesmo gostando de futebol. Pensei em, como forma de protesto pessoal, simplesmente ignorá-lo, mas isso é praticamente impossível. No entanto, limitar-me-ei a acompanhar algumas partidas, dentro de minha disponibilidade de tempo, pela TV mesmo. A FIFA não vai conhecer a cor do meu salário e dele usufruir.




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