O Profeta diz a todos: "eu vos trago a verdade", enquanto o poeta, mais humildemente, se limita a dizer a cada um: "eu te trago a minha verdade."

Mario Quintana

Editorial

Embora o Brasil não esteja em uma boa fase de sua história e não esteja sendo bem administrado, retroceder ao passado, principalmente àquele passado mais remoto e sem resultados satisfatórios para a coletividade, não é a solução.

Uma geração acreditou que, quando a oposição chegasse ao poder, finalmente, sentir-se-ia representada. Votou em um candidato à presidente que caiu e se levantou, algumas vezes, mas agora já não sabe mais em quem confiar, porque não há mais representações legítimas, para os trabalhadores e os estudantes. Existem apenas partidos para representar seus próprios interesses ou defender os privilégios de seus aliados diretos.

Dar vazão às mentes e às vozes que querem questionar e repensar o Brasil de uma maneira distinta, objetiva e imparcial. É para isto que estamos aqui.

Display

Pesquisar neste blog

Inscreva-se e siga nossa newsletter

Translate us (traduza-nos)

sexta-feira, 10 de agosto de 2018

Duas rodas, duas asas



                         Em 27 de julho foi instituído o Dia do Motociclista, em alusão à morte de Marcus Bernardi, motociclista e mecânico de uma conceituada fábrica de motocicletas. Ainda que tardiamente, chamamos a atenção para essa data por meio da constatação de que, em muitos Estados, entre as vítimas de acidentes de trabalho no trânsito, predominam os trabalhadores que trafegam em motocicletas, seja no percurso entre o domicílio e o local de trabalho ou vice versa, seja exercendo suas atividades em trânsito. Você já deve ter notado que, de uns anos para cá, o Brasil está cada vez mais motorizado sobre duas rodas, quiçá pela praticidade desse meio de transporte associada à relativa facilidade de acesso ao crédito para boa parte da população, na hora de adquiri-lo.

                         Por um lado, isso é bom, mas, por outro lado, é preocupante, considerando que, quanto mais motos em circulação, maiores os riscos de acidentes envolvendo-as. Se, por um lado, a motocicleta é ágil, leve, prática e econômica, e ainda propicia alguma sensação de liberdade, por outro lado, ela carece de segurança. Os ocupantes ficam bastante expostos, nada tendo que lhes sirva de pára-choques, a não ser os próprios corpos e os capacetes, quando usam.


                         Quanto mais motocicletas em circulação, também vemos mais motocicletas sendo roubadas ou furtadas para serem utilizadas nas práticas de outros delitos e depois desmontadas e terem seus componentes vendidos no mercado clandestino de moto peças. Ou seja, motoqueiros estão mais sujeitos a serem vítimas de ladrões, que, por sua vez, se tornam algozes da sociedade sobre duas rodas. Até bem pouco tempo atrás, bandidos atacavam nas ruas de bicicletas. Hoje, eles preferem andar motorizados. Consequentemente, motoqueiros em geral acabam sendo mais visados também pelas autoridades, que se veem obrigadas a abordá-los aleatoriamente, a fim de verificar quem é cidadão e quem é bandido.


                         O uso obrigatório do capacete por pilotos de motos passou a ser defendido pela ciência como um diferencial entre a vida e a morte, depois que o escritor, militar e diplomata inglês Thomas Edward Lawrence, vulgo Lawrence da Arábia, morreu num acidente com sua motocicleta, vítima de traumatismo cranioencefálico (TCE), em 1935. Até então, os pilotos usavam apenas óculos de proteção como pára-brisas e, no máximo, uma touca de couro. Agora cabe aos motociclistas hodiernos assumir suas cotas de responsabilidades pessoaisno tocante às próprias saúde e segurança, pilotando devidamente habilitados, equipados e livres dos efeitos de substâncias psicotrópicas, de acordo com as condições das vias, evitando mais transtornos para eles mesmos, para suas famílias e para a coletividadeEspera-se também que haja mais cautela e mais respeito com os motociclistas por parte dos condutores de outros tipos de veículos.


                         Assim procedendo, os motociclistas estarão indiretamente aludindo à Hermes, antigo deus grego detentor de diversificadas habilidades, dentre elas, destacando-se a de colocar seu capacete e viajar velozmente transportando mensagens, sendo, por isso, considerado o deus dos viajantes e das comunicações. 


                         Esperamos que você, neste final de semana, que abrange o Dia dos Pais, mesmo que você não tenha uma moto, possa ganhar asas, como os anjos ganham, segundo o filme A Felicidade Não se Compra, ou como se tivesse tomado daquela bebida dita energética, e siga superando seus limites, dentro dos limites Dele. Nossos votos são de um feliz final de semana a todos os pais e filhos.



---X---



Nenhum comentário:

Postar um comentário