O Profeta diz a todos: "eu vos trago a verdade", enquanto o poeta, mais humildemente, se limita a dizer a cada um: "eu te trago a minha verdade."

Mario Quintana

Editorial

Embora o Brasil não esteja em uma boa fase de sua história e não esteja sendo bem administrado, retroceder ao passado, principalmente àquele passado mais remoto e sem resultados satisfatórios para a coletividade, não é a solução.

Uma geração acreditou que, quando a oposição chegasse ao poder, finalmente, sentir-se-ia representada. Votou em um candidato à presidente que caiu e se levantou, algumas vezes, mas agora já não sabe mais em quem confiar, porque não há mais representações legítimas, para os trabalhadores e os estudantes. Existem apenas partidos para representar seus próprios interesses ou defender os privilégios de seus aliados diretos.

Dar vazão às mentes e às vozes que querem questionar e repensar o Brasil de uma maneira distinta, objetiva e imparcial. É para isto que estamos aqui.

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sexta-feira, 1 de maio de 2015

Acessos (não tão) alternativos



              Continuemos aquela nossa reflexão iniciada no dia em que a Globo completou 50 anos no ar, sobre a evolução do acesso aos meios de comunicação em massa. Se você não quer ser mais um prisioneiro da mídia, lembre-se de que você é livre para ligar seu televisor quando quiser apenas para ver algo que você considere interessante e relevante e que você já tem a certeza de que será transmitido em certos horário e canal, como, por exemplo, um telejornal, um documentário, um filme ou um jogo de futebol. Você também é livre para se valer de outros meios de comunicação de massa, como a Internet, por exemplo, para ver, ler ou ouvir o que quiser. Isso era impossível, há 50 anos.

              No tocante à televisão, ainda somos bem limitados. A televisão, em qualquer canal, só nos mostra aquilo que ela quer que vejamos, na hora em que ela quer e do jeito dela. Se você tem um televisor com tela plana e expandida de LCD, com captação de sinais digitais e transmissão de imagens em alta definição, você tem a opção de ver de maneira um pouco mais diferenciada aquilo que as emissoras de TV estão lhe enviando, com qualidades de som e de imagem um pouco melhores. 


              Quiçá você tenha, por algum momento, a sensação de estar lá presente na cena, vendo-a diretamente com seus olhos, mas continuará vendo as mesmas coisas que outras pessoas veem em outros televisores, no tempo em que as emissoras querem, até porque você ainda não terá o privilégio da visão da cena em 360 graus. As câmeras de TV focalizam, captam, gravam e transmitem somente aquilo que os olhos dos cinegrafistas e os dos diretores dos programas enxergam. Você vê somente o que eles veem, e não o que você quer ver. Eles que estão mais próximos da cena certamente veem algo a mais, tendo o privilégio da visão de cena em 360 graus, mas só lhe repassam o que eles querem repassar.


              Até bem pouco tempo, coisa de uns vinte anos, estávamos bem mais limitados no tempo e no espaço. Se queríamos, por exemplo, informações sobre o que acontecia ao nosso redor ou em qualquer outro lugar, tínhamos as opções de: 

- Ligar a TV ou o rádio e esperar por algum noticiário; 

- Sair de casa, para comprar uma revista ou um jornal ou para conversar com alguém;

- Telefonar para alguém, se o telefone estivesse disponível.

              Se queríamos, por exemplo, ouvir uma música, tínhamos as opções de:

- Esperar que ela fosse reproduzida na TV ou no rádio;

- Comprar um LP ou uma fita K-7 com a tal música.

              Se queríamos, por exemplo, ver um filme, tínhamos as opções de:

- Ir ao cinema, se o filme estivesse em cartaz;

- Esperar que o filme passasse na TV;

- Comprar ou alugar uma película, uma fita de VHS, um CR-ROM ou um DVD com o filme.


              Se queríamos, por exemplo, ver uma partida de futebol, uma peça de teatro, uma apresentação de um artista musical ou qualquer espetáculo público, tínhamos as opções de:  

- Esperar que a TV transmitisse o evento, ao vivo ou gravado;

- Ir ao local do evento e comprar um ingresso, quando fosse relativamente próximo de sua casa;

- Comprar ou alugar uma película, uma fita de VHS, um CR-ROM ou um DVD com as imagens do evento. 


               Se queríamos, por exemplo, ler um livro, tínhamos as opções de:

- Comprá-lo, alugá-lo ou pedi-lo emprestado, contando apenas com a versão impressa;

- Arranjar um lugar adequado que lhe permitisse concentração suficiente para a leitura.


               Atualmente, é possível conseguir as coisas supracitadas, em qualquer hora e lugar, quando há um dispositivo disponível com acesso à Internet, podendo-se, inclusive, receber e armazenar na memória do dispositivo arquivos de áudios, de vídeos e de livros digitalizados, por exemplo. Você não precisa mais esperar pela boa vontade de canais como a MTV ou o Multishow, por exemplo, para ver o clipe de uma música, quando pode encontrá-lo em páginas como o YouTube, por exemplo.


               Mesmo assim, por tudo que foi exposto, dá para perceber que ainda somos significativamente influenciados por todas as formas de mídia, que, de alguma forma, ainda nos conduzem e afunilam nossas consciências como lhes apraz. Perceba também que, como foi dito, a evolução do acesso às mídias, que precisam interagir entre elas, para que sobrevivam, contribuiu para diminuir, de alguma forma, as interações entre as pessoas. Quanto mais conectadas, mais afastadas.

               Tenha um bom feriadão.





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