Tire o pé do acelerador e redimensione sua vida.

Tire o pé do acelerador e redimensione sua vida.
Tire o pé do acelerador e redimensione sua vida.
O Profeta diz a todos: "eu vos trago a verdade", enquanto o poeta, mais humildemente, se limita a dizer a cada um: "eu te trago a minha verdade."

Mario Quintana

Editorial

Embora o Brasil não esteja em uma boa fase de sua história e não esteja sendo bem administrado, retroceder ao passado, principalmente àquele passado mais remoto e sem resultados satisfatórios para a coletividade, não é a solução.

Uma geração acreditou que, quando a oposição chegasse ao poder, finalmente, sentir-se-ia representada. Votou em um candidato à presidente que caiu e se levantou, algumas vezes, mas agora já não sabe mais em quem confiar, porque não há mais representações legítimas, para os trabalhadores e os estudantes. Existem apenas partidos para representar seus próprios interesses ou defender os privilégios de seus aliados diretos.

Dar vazão às mentes e às vozes que querem questionar e repensar o Brasil de uma maneira distinta, objetiva e imparcial. É para isto que estamos aqui.

Display

Pesquisar neste blog

Inscreva-se e siga nossa newsletter

Translate us (traduza-nos)

sábado, 3 de maio de 2014

Gentileza


                      Uma noite dessas, sonhei que tomava parte de uma expedição militar. Havia outros médicos no grupo, todos armados, exceto um. Quando encontramos um galpão supostamente repleto de armas químicas e biológicas de destruição em massa, todas as nossas tentativas de invadi-lo se mostraram inúteis. Ninguém conseguia abrir uma das portas com o uso da força, até que um psiquiatra, o único médico desarmado da equipe, aproximou-se da porta e sussurrou: "Abra-te, sésamo". E a porta se abriu.

                      Aquele sonho pareceu um tanto revelador e condizente com a realidade. Dentre os médicos, o psiquiatra é o que menos trabalha com as mãos, a não ser para escrever, assinar e carimbar documentos. O psiquiatra trabalha mais com o uso de sua mente, para tentar sondar as mentes dos pacientes. Embora não faça tanto esforço físico, seu trabalho também é desgastante.

                      Todo médico precisa se esforçar para prestar o máximo de atenção possível ao que o(a) paciente manifesta, por meio das diversas linguagens possíveis, entender e processar as informações recolhidas, registrar por escrito essas informações e suas conclusões pertinentes e apresentar alguma solução pelo menos provisória para o caso e que possa ser reavaliada mais tarde, com a evolução do caso.

                      Com o psiquiatra, não é diferente. Geralmente, ele não faz exames físico e neurológico dos pacientes, mas deveria fazê-los, de acordo com a conveniência de cada caso. O psiquiatra sempre faz o exame do estado mental do(a) paciente, ao mesmo tempo em que está conversando com ele e analisando seu comportamento. Não é nada fácil.

                      O psiquiatra é o tipo do médico que se destaca por conseguir chegar com jeito aonde os outros médicos não conseguem chegar. Apesar de estigmatizado, por ser visto como alguém que trabalha mais à distância, no plano das filosofias e das ideias, é sempre requerido pelos outros médicos, em último caso, quando eles não conseguem resolvem algum problema. É como se a psiquiatria fosse uma espécie de tropa de elite da medicina, porque ela, juntamente com a neurologia e com a neurocirurgia, consegue escalar o topo desse morro que é o corpo humano, que é a cabeça, constituída pela mente e pela infraestrutura física do cérebro, por vias diferentes.

                      O médico psiquiatra também opera, mas sem anestesia, embora, por vezes, desejasse ter sido também um anestesista, haja vista que a queixa mais frequente entre nossos pacientes é a insônia. Esta parece ser um dos maiores males do mundo, e, sobre ela, conversaremos mais detidamente, noutra oportunidade. Muitas vezes, prescrevemos-lhes doses consideráveis de ansiolíticos, sedativos e hipnóticos, mas muitos deles insistem em não responder às medicações, como se estivessem a nos desafiar. Em tempos remotos da história da humanidade, dizer-se-ia que quadros patológicos como esses que parecem não se abalar com intervenções terapêuticas físicas ou químicas estariam sob forte influência sobrenatural.

                      Os amigos dizem que os casos de pacientes devem ser conduzidos como em uma dança, especialmente em nossa área, onde os casos nem sempre respondem às terapêuticas como queremos ou esperamos. Por vezes, confesso que me sinto como se estivesse em uma tourada. É como se fosse um touro e o(a) paciente ou algum(a) parente ou acompanhante fosse um toureiro sacudindo aquele pano vermelho na minha frente para provocar, desqualificando minhas condutas e demonstrando certa resistência aparentemente proposital às diversas medicações empregadas, ao ponto de me obrigar a tomar alguma medida drástica para resolver o caso, entrando de cabeça para meter os chifres na barriga de alguém. Simbolicamente falando, é claro. Empregamos todos os nossos recursos possíveis naqueles casos, que geralmente são as carnes de pescoço do nosso ofício, mas, a cada manobra farmacológica que fazemos, por exemplo, só ouvimos a plateia gritar "olé", para saudar o toureiro.

                     Como dissemos acima, o psiquiatra também opera, porque, com o auxílio da psicologia, das psicoterapias e das psicanálises, em alguns momentos, o(a) paciente é instigado(a) a falar mais de si, de seus sofrimentos, de seus sentimentos, de suas dúvidas, de seus conflitos, de seus segredos, de seu passado, enfim, a falar de coisas que o(a) deixem desconfortável, por mais que isto provoque dor. Somente dessa maneira, podem-se conseguir as transformações necessárias e mais profundas na vida da pessoa, porque, somente assim, ela pode encontrar a verdadeira razão de tanto sofrimento psíquico que pode estar se traduzindo em sofrimento físico, ou vice-versa. 

                      Certamente aquele sonho quis ensinar que devemos sempre agir com jeito, como sempre fazemos e nos destacamos por isso, mesmo em situações assim, por mais desesperadoras que pareçam. Porque, afinal, como já é sabido, gentileza gera gentileza, não é mesmo???



************



Um comentário:

  1. Olá Tony.
    Sonhos geralmente são nossas vontades de serem realizadas no subinconsciente.
    Seu texto é ótimo adorei ter uma aula de ter analogias da psiquiatria,mas você não fala sobre a gentileza qual é tema deste artigo no prefacio.
    Grata por compartilhar adorei ler-te, você escreve admiravelmente bem e só tenho a parabenizar e com certeza deve ser apenas sonhos,pois se você mora no Brasil é pouco provável que tenha que ir a uma guerra. ...
    Um excelente dia e que esta semana seja superlotada de muitos acontecimentos e de alegrias
    Um braço afetuoso.
    ClaraSol.

    ResponderExcluir