Tire o pé do acelerador e redimensione sua vida.

Tire o pé do acelerador e redimensione sua vida.
Tire o pé do acelerador e redimensione sua vida.
O Profeta diz a todos: "eu vos trago a verdade", enquanto o poeta, mais humildemente, se limita a dizer a cada um: "eu te trago a minha verdade."

Mario Quintana

Editorial

Embora o Brasil não esteja em uma boa fase de sua história e não esteja sendo bem administrado, retroceder ao passado, principalmente àquele passado mais remoto e sem resultados satisfatórios para a coletividade, não é a solução.

Uma geração acreditou que, quando a oposição chegasse ao poder, finalmente, sentir-se-ia representada. Votou em um candidato à presidente que caiu e se levantou, algumas vezes, mas agora já não sabe mais em quem confiar, porque não há mais representações legítimas, para os trabalhadores e os estudantes. Existem apenas partidos para representar seus próprios interesses ou defender os privilégios de seus aliados diretos.

Dar vazão às mentes e às vozes que querem questionar e repensar o Brasil de uma maneira distinta, objetiva e imparcial. É para isto que estamos aqui.

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quarta-feira, 3 de julho de 2013

Terra nostra


           Você que estudou história deve se lembrar de que, na fase do Segundo Reinado, na segunda metade do século XIX, o governo brasileiro passou a incentivar gradativamente a vinda de imigrantes europeus para trabalhar na agricultura, especialmente nas lavouras de café, substituindo gradualmente a mão-de-obra negra e escrava pela mão-de-obra assalariada, fomentando o surgimento de um mercado consumidor de bens e de serviços, o que também fomentou o surgimento de algumas indústrias.


           Porém, antes do Poder Público, a iniciativa privada, leia-se os produtores de café, foi pioneira em trazer os imigrantes para as lavouras brasileiras, por meio de sistemas de parcerias (?) firmadas entre os latifundiários e os imigrantes, por meio das quais os primeiros custeavam os translados dos últimos para o Brasil e estes pagavam os "financiamentos" com seus trabalhos nas terras daqueles. Vendo-se de longe, até que pareciam negócios justos. Afinal, uma das mãos lavava a outra, não é mesmo???        

           Apenas pareciam. Acontecia que aqueles pobres coitados imigrantes vinham para o Brasil cheios de talentos e de sonhos, crentes de que esta seria a terra das oportunidades, onde criariam raízes e, quiçá, fariam fortunas. Ledo engano. Logo perceberam que entraram numa roubada, haja vista que aceitando as condições estabelecidas para suas vindas com suas famílias, se comprometiam a trabalhar exaustiva, indefinida e exclusivamente para pagar as dívidas com seus patrões. Quanto mais trabalhavam naquelas terras, mais se endividavam e se desiludiam, até se revoltarem. E assim, esses sistemas de parcerias (?) foram à pique. Mesmo após aquelas mazelas, os imigrantes foram fincando raízes aqui, mais gente deles foi chegando, e assim, foram contribuindo com as formações étnica, social, cultural e econômica deste país.


           O que o fato supracitado tem à ver com nossa história atual??? Do mesmo modo, o presente governo federal quer "importar" pelo menos uns seis mil médicos estrangeiros para trabalhar em áreas afastadas dos grandes centros urbanos do Brasil, sem que eles tenham de se submeter ao Revalida, que é o processo de avaliação pelo qual médicos formados em universidades estrangeiras tem de passar para que seus diplomas sejam considerados válidos no Brasil.

           Tudo bem que o Brasil é grande, mas será que um país que conta com umas duzentas faculdades de medicina precisa mesmo importar médicos indiscriminadamente, de quaisquer nacionalidades???

           Como diria um professor nosso da residência médica, "se você não procura sua esposa e não comparece, alguém fará o que você não fez". Traduzindo: em parte, a culpa disso estar acontecendo é nossa. Há algumas postagens, já havia levantado essa questão. Como nós, médicos brasileiros, aparentemente não estamos ocupando espaços que são nossos, e temos nossos motivos para não o fazermos, outros provavelmente virão e o farão. Pelo mesmo motivo, outros profissionais da saúde são contra o Ato Médico, pois eles acreditam que o Ato subtrai-lhes o direito de realizar certos procedimentos dos quais se julgam capazes, tornando-os exclusivos dos médicos, mas que os médicos, por vezes, não faziam questão de executá-los, passando as bolas aos outros profissionais da saúde.


           Na terça-feira da semana passada, dia 25, o SIMEC (Sindicato dos Médicos do Estado do Ceará) convocou uma assembleia, em sua sede, no nono andar de um edifício social, em área considerada nobre de Fortaleza. O espaço ficou pequeno para algumas centenas de pessoas que compareceram, e a reunião teve de ser realizada na rua. Valeu a pena. Houve mais participação que o esperado. Prova de que aqui entre nós ninguém está mais pensando somente no seu.


           Para esta quarta-feira, dia 03, as entidades médicas nacionais convocam uma grande manifestação nacional, a ser realizada nas principais cidades. Fortaleza não pode ficar fora desta. Os médicos que não estão de plantão em serviços de urgências e de emergências estão convocados a suspenderem suas atividades e irem às ruas, como o povo brasileiro em geral está fazendo (e agora o povo egípcio está fazendo de novo, mostrando também sua insatisfação com seu governo), para protestar contra a "importação" indiscriminada de médicos estrangeiros, por concursos públicos para médicos com direito à carreira de Estado e por mais investimentos estatais na saúde. O objetivo primordial é mostrar a eles que esta terra é nostra e que podemos fazer melhor por ela, com o que temos. É só nos permitirem dizer como. 


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