O Profeta diz a todos: "eu vos trago a verdade", enquanto o poeta, mais humildemente, se limita a dizer a cada um: "eu te trago a minha verdade."

Mario Quintana

Editorial

Embora o Brasil não esteja em uma boa fase de sua história e não esteja sendo bem administrado, retroceder ao passado, principalmente àquele passado mais remoto e sem resultados satisfatórios para a coletividade, não é a solução.

Uma geração acreditou que, quando a oposição chegasse ao poder, finalmente, sentir-se-ia representada. Votou em um candidato à presidente que caiu e se levantou, algumas vezes, mas agora já não sabe mais em quem confiar, porque não há mais representações legítimas, para os trabalhadores e os estudantes. Existem apenas partidos para representar seus próprios interesses ou defender os privilégios de seus aliados diretos.

Dar vazão às mentes e às vozes que querem questionar e repensar o Brasil de uma maneira distinta, objetiva e imparcial. É para isto que estamos aqui.

Display

Pesquisar neste blog

Inscreva-se e siga nossa newsletter

Translate us (traduza-nos)

sábado, 29 de junho de 2013

Os bandeirantes


                       Em uma postagem passada, falei algo sobre a diferença entre bandeirantes e colonizadores. Estes foram os termos usados pelo coordenador da minha faculdade, numa de suas palestras, para se referir àqueles que migram para Sobral apenas com interesse de explorar a cidade e partir e àqueles que migram com o intuito de se fixar naquela cidade, respectivamente.

                       Pois bem, fiz esta breve recapitulação para expor que, muitas vezes, médicos são vistos como bandeirantes, mercenários e especuladores, sendo acusados de só irem trabalhar onde lhes interessa, enquanto lhes interessa, de só irem àqueles lugares afastados das grandes metrópoles estritamente para trabalhar, de lá permanecerem apenas nos dias de expediente e de não se envolverem com a população local. Atiram-nos tais acusações, como se fôssemos os únicos profissionais a agirem assim.

                       No entanto, aproveito e faço uma mea culpaPor vezes, me sinto um mercenário mesmo, pois, por exemplo, quando trabalhei num PSF, no início da carreira, ao chegar àquela comunidade, senti o clamor e a carência daquele povo, como se fossem ovelhas sem pastor e como se nunca tivesse visto um médico na vida. Só para você ter uma ideia, dentro do período de um ano, passaram por lá pelo menos quatro médicos diferentes, dentre eles este. O que me faz me sentir mais culpado, foi o fato de não ter estado mais presente, 24h por dia, 7 dias por semana, na vida daquela gente, embora não fosse obrigado a isso, enquanto os demais funcionários do posto de saúde moravam na localidade e, mesmo com as portas do posto fechadas, estavam à disposição da população, 24h por dia, 7 dias por semana.

                       Não basta oferecer pequenas fortunas para que um médico saia de um grande centro urbano para trabalhar naqueles rincões. É preciso criar todo um background para que o médico tenha interesse em se deslocar até lá, trabalhar lá e quiçá morar lá e se enraizar por lá. Não deveria ser obrigatório o médico ter residência na cidade onde vai trabalhar, mas seria o ideal. Geralmente o médico, bem como outros profissionais da saúde, não tem interesse em morar lá pelo mesmo motivo que qualquer cidadão da capital não teria. Somente quem trabalha naquele contexto sabe as dificuldades que enfrenta para se manter por lá, por melhores que sejam os salários. Deparei-me, por exemplo, com dificuldades de comunicação com o resto do mundo e de referenciar pacientes aos níveis de atenção em saúde mais avançados, quando isto se fez necessário.

                       Por isso, nas próximas postagens, conversaremos sobre as mobilizações da classe médica contra as políticas atuais do Governo Federal para atender às demandas por médicos.
                     

*******


Nenhum comentário:

Postar um comentário